A ida ao supermercado ficou mais cara em fevereiro de 2026. Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado nesta quinta-feira (19), aponta alta de 0,47% no preço médio de uma cesta composta por 35 produtos de amplo consumo, que passou de R$ 799,08 para R$ 802,88 na comparação com janeiro. O valor registrado no mês passado é o mais elevado desde agosto de 2025 e confirma a trajetória inflacionária que vem pressionando o orçamento das famílias brasileiras neste início de ano, agravada por um cenário internacional ainda instável.
O vilão do mês foi o feijão. O grão mais presente na mesa do brasileiro acumulou alta de 11,73% apenas na passagem de janeiro para fevereiro. Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o problema tem origem climática: chuvas intensas que atingiram Goiás e Minas Gerais — dois dos principais estados produtores — comprometeram a colheita e reduziram a oferta de lotes de qualidade no mercado, empurrando os preços para cima nas gôndolas do varejo.
Outros produtos também encareceram no período. O leite longa vida subiu 1,24%, a farinha de mandioca avançou 1,06% e o queijo muçarela registrou alta de 0,68%. Entre as proteínas, a carne bovina acumula elevação de 2% no preço médio nos dois primeiros meses de 2026, tanto no corte traseiro (+2,88%) quanto no dianteiro (+2,13%). Já os ovos, que haviam recuado com mais força em janeiro, reverteram o movimento e subiram 4,55% em fevereiro.
No lado positivo, alguns itens essenciais aliviaram o bolso do consumidor. O arroz ficou 2,36% mais barato no mês, o óleo de soja caiu 2,62% e o café torrado e moído recuou 1,2%. O destaque vai para o arroz: o cereal acumula queda de 27,85% apenas nos dois primeiros meses de 2026, sinalizando um ajuste mais estrutural após o ciclo de alta dos anos anteriores.
Com o encarecimento geral da cesta básica, o consumo nos lares brasileiros recuou 3,8% em fevereiro na comparação com janeiro. Em relação ao mesmo mês de 2025, porém, o índice avançou 1,95%, indicando que, no acumulado anual, a demanda ainda se mantém em expansão. Milan pondera que parte do recuo mensal é explicado pela diferença no número de dias entre os dois meses. Para 2026 como um todo, a Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo supermercadista.








