ter, 20 out

PL 2.692/2026 prevê ressarcir voo privado que leve órgão para transplante

Projeto no Senado quer pagar custos de voo de aeronave particular que leve órgão ou equipe de transplante pelo SUS, com isenção de tarifas aeroportuárias.

Por Redação Sou Brasília 2 min de leitura
Refletor de centro cirúrgico com vários focos de luz LED (foto ilustrativa)
Foto: Pavel Danilyuk/Pexels (ilustrativa)

O Senado pode começar a analisar o Projeto de Lei 2.692/2026, que permite ressarcir os custos de voo de quem usa avião particular para levar órgãos e equipes médicas a transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O texto é do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), foi apresentado em 28 de maio e, segundo a Agência Senado, quer aproveitar aeronaves que ficam paradas.

O que o projeto muda

A proposta acrescenta quatro parágrafos ao artigo 13-A da Lei 9.434/1997, a lei dos transplantes. Hoje esse artigo obriga quem opera veículos de transporte a dar prioridade a órgãos e às equipes de captação, e o transporte é gratuito. O projeto cria uma via para o dono de avião que não tem Certificado de Operador Aéreo:

  • pessoas físicas e empresas que se cadastrarem voluntariamente poderão ser ressarcidas dos custos operacionais do voo, na forma de regulamento;
  • a União transferirá ao ente federado responsável pela operação os recursos para pagar a conta;
  • esses voos ficam isentos de tarifas aeroportuárias e de navegação aérea;
  • convênios entre União, estados, municípios e entidades sem fins lucrativos poderão operar o cadastro, o acionamento e o ressarcimento, com coordenação do Sistema Nacional de Transplantes.

A regra atual, alterada pela Lei 14.858/2024, também considera justa causa o cancelamento de reserva de passageiro por lotação esgotada para abrir espaço ao material de transplante, o que isenta a empresa de responder por descumprimento do contrato. As instituições militares ficam fora da obrigação quando as aeronaves estão em missão de defesa aeroespacial ou em operações militares. O projeto de Marcos Pontes não mexe nesses pontos.

Na justificação, Marcos Pontes escreve que a principal limitação é a ausência de previsão legal para ressarcir operações privadas, situação diferente da dos operadores aéreos regulares e das forças militares. O senador afirma que a frota privada tem capilaridade no território e pode contribuir para a logística do sistema.

Em que pé está

Segundo os registros do Senado, o projeto foi autuado em 28 de maio e aguarda despacho, ou seja, ainda não foi distribuído a nenhuma comissão e não tem relator. Qualquer valor de ressarcimento dependerá de regulamento que o projeto não traz, e o texto não estima o custo para a União.

Para quem mora no DF, o tema já apareceu na rotina da cidade: em junho, o Corpo de Bombeiros levou um bebê do DF ao Paraná para um transplante de fígado. Quem quer ser doador pode registrar a vontade pelo cartório online, no registro nacional de doadores. A tramitação do PL 2.692/2026 pode ser acompanhada no site do Senado, pelo número da proposição.

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