sáb, 24 out

PELO 22/2026 muda reeleição na Mesa da CLDF e pode beneficiar Wellington Luiz

Distritais protocolam proposta que muda a regra de reeleição da Mesa Diretora e pode permitir novo mandato de Wellington Luiz em 2027.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Fachada do prédio da Câmara Legislativa do Distrito Federal sob céu azul, foto de 2012
Foto: Borowskki/Wikimedia Commons (domínio público)
Neste texto3 tópicos
  1. O que a regra diz hoje e o que a proposta muda
  2. Por que Wellington Luiz está no centro da proposta?
  3. O que acontece depois do protocolo?

Deputados distritais protocolaram nesta sexta-feira (23), na Câmara Legislativa do DF, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 22/2026, que muda a regra de reeleição da Mesa Diretora e pode permitir que o atual presidente, Wellington Luiz (MDB), dispute um terceiro mandato seguido em janeiro de 2027.

A autoria inicial é do deputado Pastor Daniel de Castro (PP). O texto reúne ao menos 15 assinaturas de distritais da legislatura atual, segundo o Jornal de Brasília e o DF Mobilidade. Entre os signatários estão deputados de MDB, PT, PP, Republicanos, PSOL, PSB, PSDB e Democrata, além do próprio Wellington Luiz.

O que a regra diz hoje e o que a proposta muda

Hoje, a Lei Orgânica do DF dá mandato de dois anos aos integrantes da Mesa Diretora e permite uma única reeleição para o mesmo cargo. Segundo o DF Mobilidade, o limite está no artigo 66, parágrafo 2º, e vale tanto dentro da mesma legislatura quanto na passagem para a seguinte.

A PELO 22/2026 restringe a proibição à eleição imediatamente seguinte dentro da mesma legislatura. Na prática, quem já usou a reeleição poderia concorrer de novo quando começasse uma legislatura diferente. A nova composição da Casa toma posse em janeiro de 2027 e elege a Mesa para o biênio seguinte.

PontoRegra atualPela PELO 22/2026
Duração do mandato na Mesa2 anos2 anos
Reeleição para o mesmo cargoUma só, na mesma legislatura ou na seguinteVedada só na eleição seguinte da mesma legislatura
Nova recondução na virada de legislaturaNãoSim

Por que Wellington Luiz está no centro da proposta?

Wellington Luiz preside a CLDF desde 2023. Foi eleito para o biênio 2023-2024 e reconduzido para 2025-2026. Pela regra em vigor, já usou a reeleição que a Lei Orgânica admite. O Jornal de Brasília o descreve como favorito à recondução em janeiro de 2027, caso a mudança seja aprovada.

Os autores justificam o texto com o argumento de que ele reproduz o entendimento adotado pela Constituição Federal e respaldado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a Câmara dos Deputados e o Senado, onde a recondução é admitida na passagem entre legislaturas. A proposta, dizem, recupera a ideia de que a proibição mira reeleições sucessivas dentro de uma mesma legislatura.

O DF Mobilidade registra uma dificuldade jurídica: segundo o site, o STF já decidiu, na ADI 6.708, em maio de 2022, que a norma do DF com uma única recondução é constitucional, e firmou entendimento semelhante para assembleias estaduais mesmo quando o mandato atravessa legislaturas. O portal ressalta que isso não significa que a PELO já tenha sido declarada inconstitucional, e a CLDF ainda não se manifestou sobre o ponto.

O que acontece depois do protocolo?

A proposta chegou à CLDF dois dias antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), e ainda não foi votada. Segundo o Jornal de Brasília, ela deve seguir para as comissões e depois para o plenário. Assinar o protocolo não obriga nenhum deputado a votar a favor, e o DF Mobilidade lembra que o apoio na assinatura não garante o resultado das votações.

O deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil) aparece, segundo o DF Mobilidade, entre os interessados em disputar a presidência na próxima legislatura. Pelo calendário, a eleição da Mesa ocorre logo na instalação da nova Câmara, em janeiro, o que deixa pouco tempo para a PELO cumprir toda a tramitação antes da escolha.

O andamento da proposta pode ser consultado no site da Câmara Legislativa. Sobre outros assuntos da Casa, o SouBrasília publicou os números da proposta orçamentária de R$ 1,2 bilhão da CLDF para 2027 e o levantamento sobre os gastos de R$ 606,9 milhões entre janeiro e setembro.

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