sex, 23 out

CLDF gasta R$ 606,9 milhões até setembro; investimentos caem 79%

Extrato publicado no Diário da CLDF mostra folha de R$ 475,8 milhões, Fascal em R$ 14,5 milhões e investimentos de só R$ 2,6 milhões.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Fachada do prédio-sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em foto de 2012, com bloco envidraçado e curva de concreto branco
Foto: Borowskki/Wikimedia Commons (domínio público)
Neste texto3 tópicos
  1. Quanto a CLDF gastou e com o quê
  2. O que mais variou no custeio
  3. A folha cabe no limite fiscal?

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) liquidou R$ 606,9 milhões em despesas de janeiro a setembro de 2026, 61% da dotação autorizada de R$ 998,3 milhões e 8% a mais que os R$ 561,7 milhões do mesmo período de 2025. Os investimentos, no sentido contrário, caíram 79,3%, para R$ 2,6 milhões. Os números constam do extrato do relatório de execução orçamentária publicado no Diário da Câmara Legislativa nesta sexta-feira (23), segundo o Jornal de Brasília.

O Soubrasília não teve acesso ao extrato completo. Os valores abaixo seguem a reportagem do JBr, que cita o documento oficial.

Quanto a CLDF gastou e com o quê

A folha concentra o orçamento. Pessoal e encargos somaram R$ 475,8 milhões, alta de 4,4% (R$ 20,1 milhões a mais). Dentro do grupo, vencimentos e vantagens fixas ficaram em R$ 387,6 milhões, as obrigações patronais do INSS em R$ 23,3 milhões (+13,1%) e a contribuição ao Iprev em R$ 44,7 milhões (-0,9%).

Somadas, a administração de pessoal (R$ 463,1 milhões) e a concessão de benefícios a servidores (R$ 50,7 milhões) respondem por 85% de tudo o que a Casa gastou no período. O programa de benefícios cresceu 27,3% sobre 2025.

Grupo de despesaJan-set 2025Jan-set 2026Variação
Total liquidadoR$ 561,7 miR$ 606,9 mi+8%
Outras despesas correntesR$ 93,3 miR$ 128,5 mi+37,7%
InvestimentosR$ 12,6 miR$ 2,6 mi-79,3%

O que mais variou no custeio

Em outras despesas correntes, o maior salto está nos ressarcimentos e indenizações ao Fascal, o fundo de saúde dos deputados e servidores da Casa: de R$ 1,3 milhão para R$ 14,5 milhões, variação de mais de 1.000%. A publicidade institucional subiu de R$ 6,7 milhões para R$ 18 milhões (+169,3%), enquanto a de utilidade pública caiu de R$ 9,2 milhões para R$ 0,2 milhão. A gestão de tecnologia da informação passou de R$ 10,6 milhões para R$ 14,5 milhões.

Nos investimentos, a modernização de sistemas de TI recuou de R$ 8,3 milhões para R$ 1,2 milhão, e a infraestrutura da TV Legislativa não teve gasto no período. Com R$ 2,6 milhões, o grupo equivale a cerca de 0,4% do total liquidado.

A folha cabe no limite fiscal?

Sim, segundo o relatório. A despesa total com pessoal ficou em 1,44% da receita corrente líquida do DF em setembro, abaixo dos limites prudencial e máximo da Lei de Responsabilidade Fiscal. O extrato atribui o índice baixo ao crescimento da arrecadação, com alta de mais de 20% nos impostos e reforço do Fundo Constitucional. Em agosto, a arrecadação própria do DF superou a previsão da LOA 2026 em R$ 793,5 milhões, conforme o mesmo documento.

O relatório avisa que parte dos reajustes aprovados ainda não pesa por inteiro. O efeito pleno de quatro medidas só aparece em 2027: a Gratificação de Atividade Policial e a nova tabela salarial da CLDF, em março; a majoração da Gratificação de Atividade Legislativa (Lei nº 7.858/2026), também em março; e a Resolução nº 368/2026, que altera a estrutura administrativa, em junho.

Restam R$ 391,4 milhões da dotação para o último trimestre, pelo cálculo do Soubrasília sobre os dados informados. A situação das contas do GDF no mesmo período está em receita corrente e despesa do GDF até agosto, e o histórico de remanejamentos do Legislativo em crédito suplementar de R$ 636 milhões aprovado em setembro. O extrato completo pode ser consultado no Diário da Câmara Legislativa, no site da CLDF.

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