A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na quarta-feira (19) a Operação Ocultos contra um grupo suspeito de roubos, furtos, receptação e tráfico de drogas no Cruzeiro e no Sudoeste. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva.
Os mandados foram executados na Cidade Estrutural, onde moram os investigados, e a ação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro. O grupo atuava em duas das regiões com maior movimento comercial da área central do DF.
O que chamou a atenção dos investigadores não foi o volume de droga, e sim o desenho da operação criminosa. Segundo a PCDF, o dinheiro dos roubos entrava como capital de giro: parte dos integrantes assaltava, e o produto do crime era convertido na compra de entorpecentes revendidos nas mesmas quadras.
Três frentes, uma mesma caixa
A investigação descreve um grupo dividido por função, com o resultado financeiro circulando entre as frentes:
- Roubos: parte dos investigados praticava assaltos e usava o dinheiro ou os bens para comprar droga;
- Furtos e receptação: outro núcleo furtava e revendia os objetos subtraídos;
- Tráfico: um terceiro grupo distribuía o entorpecente no Cruzeiro e no Sudoeste.
Os mandados foram divididos conforme a frente investigada: oito de busca e apreensão para o núcleo de roubos e tráfico, quatro para o de furtos e receptação e um para o investigado apontado como responsável por usar pessoas em situação de rua no transporte da droga. A ação contou com apoio de helicóptero da Polícia Civil e do Departamento de Operações Especiais (DOE).
A parte mais grave apontada pela corporação é o uso de pessoas em situação de rua na logística. Um dos investigados aproveitava a relação de confiança com essa população para transportar e esconder droga, o que empurrava para a ponta mais vulnerável o risco de flagrante e de prisão.
Outro detalhe mostra como o grupo se camuflava na rotina do comércio: dois investigados permaneciam na Comercial do Sudoeste, e um deles usava a venda de paçoca como fachada para encobrir a atividade criminosa, de acordo com a apuração da 3ª DP.
Por que o Cruzeiro e o Sudoeste
As duas regiões concentram comércio de rua, prédios residenciais de médio e alto padrão e grande circulação de pedestres durante o dia. Esse perfil facilita tanto o furto oportunista quanto a revenda rápida do que é subtraído, e explica por que a área virou alvo recorrente de operações da Polícia Civil neste ano.
Os três presos respondem na condição de suspeitos, sem condenação, e a corporação não divulgou os nomes. A PCDF também não informou se houve apreensão de droga, armas ou dinheiro durante o cumprimento dos mandados. Não há manifestação das defesas até a publicação desta reportagem.
A Polícia Civil informou que o grupo mantinha “estrutura articulada” para financiar e ampliar as atividades criminosas, com integrantes divididos entre o roubo, o furto e a venda de drogas nas duas regiões.
O que vem agora
Os presos passam por audiência de custódia, e a Justiça decide sobre a manutenção das prisões preventivas. O material apreendido nas buscas, como celulares e documentos, costuma ser o que sustenta o indiciamento: é dele que saem as conversas capazes de ligar o núcleo de roubos ao de tráfego de droga.
Concluído o inquérito, o caso segue para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que decide se apresenta denúncia. Quem for vítima de roubo ou furto nas duas regiões pode registrar ocorrência pela Delegacia Eletrônica ou presencialmente na 3ª DP, no Cruzeiro, e o registro ajuda a mapear a área de atuação do grupo.
As penas em jogo
As condutas apuradas na Ocultos têm penas distintas no Código Penal e na Lei de Drogas, e é essa diferença que costuma pesar na decisão sobre prisão preventiva:
- Roubo: reclusão de 4 a 10 anos, mais multa, com aumento se houver arma ou concurso de pessoas;
- Furto: reclusão de 1 a 4 anos e multa;
- Receptação: reclusão de 1 a 4 anos e multa, e a pena sobe quando a atividade é exercida no comércio;
- Tráfico de drogas: reclusão de 5 a 15 anos e multa, pela Lei 11.343/2006.
Quem compra produto de origem duvidosa também responde por receptação, ainda que alegue desconhecer a procedência. É por esse lado que a Polícia Civil costuma chegar aos núcleos de furto: sem quem revenda, o celular e a bicicleta subtraídos perdem serventia para o grupo.
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