Operação Pit Bull: tráfico lavava dinheiro via Pix de loja até fronteira com Bolívia
PCDF prende quatro pessoas e revela esquema que usava Pix de lojas de fachada em Ceilândia e no Pôr do Sol para lavar dinheiro até Guajará-Mirim (RO).

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Um esquema de tráfico de drogas que usava lojas como fachada em Ceilândia, Samambaia e no Pôr do Sol foi desarticulado nesta quarta-feira (7/10) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A Operação Pit Bull prendeu quatro pessoas e revelou um braço de lavagem de dinheiro que levava parte dos valores até Guajará-Mirim, em Rondônia, na fronteira com a Bolívia.
O diferencial do esquema, segundo a PCDF, estava na forma de receber e movimentar o dinheiro: nada de malas de espécie entregues na calada da noite. Os clientes pagavam a droga por Pix ou em maquininha de cartão, como em qualquer compra comum, e o grupo usava esse fluxo digital para disfarçar a origem ilícita dos valores.
Como funcionava o esquema de lavagem via Pix

Três estabelecimentos comerciais serviam de fachada para a venda de cocaína em Ceilândia e no Pôr do Sol. As entregas eram feitas de forma disfarçada, misturadas à rotina normal dos comércios, e o pagamento entrava direto nas contas vinculadas às lojas.
Para não deixar rastro de um fluxo financeiro incompatível com o porte dos negócios, o grupo fracionava os valores recebidos em pequenas quantias e os repassava entre diferentes contas bancárias no mesmo dia, incluindo contas de parentes e pessoas próximas aos investigados. Depois desse processo de pulverização, o dinheiro era sacado em espécie e parte dele enviada a empresas de Guajará-Mirim (RO), cidade de fronteira que a PCDF classifica como rota conhecida do tráfico com a Bolívia.
O que a PCDF apreendeu na operação
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Cocaína em tablete | Cerca de 1,6 kg |
| Porções de cocaína fracionada | 223 unidades |
| Maconha | Cerca de 500 g |
| Pistolas 9 mm | 2 |
| Revólver calibre .38 | 1 |
| Veículos | 3 |
| Mandados de busca e apreensão | 19 |
A ação foi conduzida pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da PCDF, com apoio da 23ª Delegacia de Polícia, de Ceilândia, e da Polícia Civil de Rondônia, que deu suporte ao cumprimento dos mandados em Guajará-Mirim. Quatro pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico; duas seguem foragidas.
O que vem a seguir
Os presos devem responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, crimes que juntos podem somar até 15 anos de reclusão. A PCDF não divulgou, até a publicação desta matéria, o valor total movimentado pelo esquema nem detalhes sobre a fase do inquérito que apura a ponta da lavagem em Rondônia. O SouBrasília vai atualizar o texto se a corporação divulgar novas informações.
Por que o pagamento digital virou ferramenta do tráfico
A opção por Pix e maquininha de cartão, em vez do dinheiro em espécie, tem aparecido com mais frequência em operações da PCDF contra grupos que tentam disfarçar o ponto de venda como comércio regular. A vantagem para o traficante é dupla: o cliente não precisa portar dinheiro vivo, o que reduz o risco de assalto durante a compra, e o fluxo financeiro passa a se misturar ao faturamento declarado da loja, dificultando a identificação por análise de movimentação bancária simples.
Foi justamente esse padrão que levou a investigação a Guajará-Mirim, em Rondônia: segundo a PCDF, a cidade de fronteira com a Bolívia é rota conhecida do tráfico entre os dois países, e parte do dinheiro movimentado pelas lojas de Ceilândia e do Pôr do Sol teria como destino final empresas localizadas ali. A corporação não informou se a Polícia Federal também investiga a ponta rondoniense do esquema.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas foram presas na Operação Pit Bull? Quatro pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico; outras duas são procuradas pela polícia.
Onde a PCDF cumpriu os mandados? Em Ceilândia, Samambaia e no Pôr do Sol, no Distrito Federal, e em Guajará-Mirim, no Rondônia.
Quanto de droga foi apreendido? Cerca de 1,6 kg de cocaína em tablete, mais 223 porções já fracionadas, e aproximadamente 500 g de maconha.
Para acompanhar outros casos de segurança pública no Distrito Federal, veja a cobertura de segurança e a editoria de justiça do SouBrasília.




