Operação Duas Rodas: PCDF mira grupo que enviava motos furtadas à Bahia

julho 12, 2026
Detalhe da roda traseira e do freio a disco de uma motocicleta

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou no dia 1º de julho a Operação Duas Rodas, que mira um grupo suspeito de furtar motocicletas em Samambaia e Ceilândia e despachá-las para a Bahia em menos de 24 horas. Foram cumpridos 11 mandados judiciais, sendo 7 de prisão e 4 de busca e apreensão.

A investigação é da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte. Segundo a PCDF, o grupo é apontado como responsável por pelo menos 15 furtos de motocicletas no DF.

Como o esquema funcionava

Os suspeitos usavam chaves falsas para levar motos estacionadas em pontos de grande circulação, como farmácias e centros comerciais. A ação durava poucos segundos.

Depois do furto, o roteiro seguia um padrão:

  • As motos eram escondidas em áreas de mata da região;
  • Os identificadores dos veículos eram adulterados;
  • Um transporte terceirizado levava as motos em caminhão-baú para a Bahia;
  • Todo o ciclo, do furto ao despacho para outro estado, fechava em menos de 24 horas.

A velocidade do envio dificultava a recuperação: quando a vítima registrava a ocorrência e a polícia iniciava as buscas, o veículo muitas vezes já estava fora do Distrito Federal.

Extorsão pelas redes sociais

A investigação identificou ainda uma segunda frente de lucro. Um dos suspeitos monitorava publicações de vítimas que pediam ajuda nas redes sociais para localizar as motos furtadas.

De acordo com a PCDF, esse integrante cobrava até R$ 3 mil da própria vítima em troca da suposta localização do veículo, negociando pelo WhatsApp como se fosse um intermediário.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o delegado Marcos Miranda, responsável pelo caso, detalhou que o frete do caminhão que levava as motos para a Bahia custava cerca de R$ 500 por viagem. Ainda segundo o jornal, um dos investigados apontado como executor dos furtos havia deixado o presídio fazia menos de 15 dias quando voltou a agir.

Quais crimes os suspeitos podem responder

Os investigados podem responder por quatro crimes:

  • Organização criminosa;
  • Furto qualificado;
  • Adulteração de sinal identificador de veículo;
  • Extorsão.

Somadas, as penas previstas ultrapassam 30 anos de prisão. Todos os alvos são tratados como suspeitos e a responsabilidade só será definida com o avanço do processo na Justiça.

O peso das punições cresceu neste ano. A Lei 15.397/2026, sancionada em maio, elevou a pena de furto para 1 a 6 anos de reclusão e a de receptação para 2 a 6 anos, segundo a Agência Senado. Quem compra moto ou peça com identificador adulterado, mesmo alegando desconhecimento do furto, pode responder por receptação.

Furto de motos é dor antiga no DF

Motocicletas estão entre os veículos mais visados por criminosos no Distrito Federal justamente pela facilidade de transporte e revenda de peças. Regiões de comércio intenso, caso de Samambaia e Ceilândia, concentram parte relevante das ocorrências.

O padrão identificado pela 26ª DP também mostra por que o crime compensa para as quadrilhas: uma moto furtada em segundos, com frete de algumas centenas de reais, vira dinheiro em outro estado antes de o rastreamento avançar. Quebrar a logística de escoamento, e não só prender quem furta, é o foco declarado deste tipo de operação.

A PCDF recomenda medidas simples que reduzem o risco: travas físicas adicionais, estacionamento em locais com câmeras e desconfiança total de qualquer pessoa que cobre para “devolver” um veículo furtado. Esse tipo de cobrança é extorsão e deve ser denunciado pelo 197, o Disque-Denúncia da Polícia Civil.

A vítima que receber contato desse tipo não deve pagar. O registro imediato da ocorrência, com boletim eletrônico ou em delegacia, acelera o bloqueio do veículo nos sistemas nacionais e aumenta a chance de recuperação antes do despacho para outro estado.

O que fazer se a sua moto for furtada

  1. Registre a ocorrência na hora, pela Delegacia Eletrônica da PCDF ou em qualquer delegacia;
  2. Informe chassi, placa e sinais particulares do veículo no boletim;
  3. Avise a seguradora, se houver contrato, antes de qualquer negociação;
  4. Denuncie pelo 197 qualquer cobrança para “devolver” a moto, guardando prints da conversa;
  5. Acompanhe anúncios de peças e veículos na internet e repasse achados à polícia, sem contato direto com o vendedor.

A ofensiva contra o grupo se soma ao reforço geral do policiamento no DF. No mesmo mês, a Secretaria de Segurança Pública colocou nas ruas a Operação Kratos, que ampliou o efetivo policial nos fins de semana com mais de 2 mil agentes, viaturas e apoio aéreo.

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