Move Brasil: quem pode se cadastrar e o prazo para contratar o crédito
O Move Brasil financia carro de até R$ 150 mil com juros de até 12,6% ao ano para taxistas, motoristas de app e entregadores. Veja as regras e o prazo.

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O Move Brasil financia veículo de até R$ 150 mil com juros de até 12,6% ao ano para taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores. O cadastro é feito no portal gov.br do programa e a contratação com os bancos vai até 15 de setembro de 2026.
O prazo está fixado na Medida Provisória 1.359/2026, que dá base ao Programa BNDES Move Motoristas. O banco de fomento avisa que a linha pode ser encerrada antes se a dotação orçamentária disponível se esgotar.
Quem pode participar do Move Brasil
O programa separa os beneficiários por categoria, e cada uma tem um critério próprio de comprovação:
- Motoristas de aplicativo: cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos 100 corridas no período, na mesma plataforma.
- Taxistas: licenças e registros ativos junto aos órgãos de trânsito, além de regularidade fiscal.
- Entregadores ciclistas e motociclistas: cadastro em plataforma de aplicativo há pelo menos 6 meses e no mínimo 100 corridas ou entregas realizadas.
- Entregadores com carteira assinada: contrato celetista há pelo menos 6 meses.
Para a linha de motos, o portal do programa exige Carteira Nacional de Habilitação na categoria A e limita o benefício a uma moto ou bicicleta por participante.
Como se cadastrar no Move Brasil
O cadastro é digital e depende de conta gov.br ativa. O caminho é este:
- Acessar o portal do programa no gov.br e entrar com CPF e senha da conta gov.br.
- Escolher a categoria profissional e indicar se atua como taxista, motorista de aplicativo ou entregador.
- Autorizar a verificação das informações declaradas, etapa em que o sistema cruza os dados com as plataformas e os órgãos de trânsito.
- Aguardar a resposta, que sai em até cinco dias úteis, informando se o profissional atende ou não aos requisitos.
Quem recebe a confirmação parte para a segunda etapa, que é a negociação com a instituição financeira. O BNDES abriu o protocolo de propostas da linha Táxi e Aplicativos em 19 de junho, e o portal do programa informa que, a partir de 27 de julho, os cadastros confirmados podem procurar a Caixa, o Banco do Brasil ou instituições parceiras credenciadas.
Condições do financiamento
As regras da linha estão publicadas pelo BNDES e valem para todos os bancos credenciados:
- Valor do veículo: automóveis de até R$ 150 mil que constem da lista de veículos financiáveis do programa.
- Juros: custo final de até 11,5% ao ano para mulheres e de até 12,6% ao ano para os demais participantes.
- Prazo: até 72 meses.
- Carência: até seis meses, período em que os juros precisam ser pagos, já que as regras não permitem incorporá-los ao saldo devedor.
- Financiamento: até 100% dos itens financiáveis, que incluem seguro, seguro de invalidez, taxas de garantia e custos de cartório.
- Itens de segurança para mulheres: financiáveis até o limite de 10% do valor total da operação.
Mesmo com a taxa abaixo da praticada no mercado de financiamento de veículos, o contrato depende da análise de crédito de cada banco. É nessa etapa que a maior parte dos inscritos tem parado.
Por que o crédito está travando nos bancos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou no sábado (8) das exigências feitas pelos bancos para liberar o financiamento. Segundo ele, as condições impostas pelas instituições financeiras dificultam o acesso ao crédito de quem já foi aprovado no cadastro.
A cobrança acontece diante de um número que expõe o gargalo do programa: até 14 de julho, apenas 1,7% dos trabalhadores inscritos tinham conseguido fechar contrato.
Um dos pontos levantados pelo presidente envolve a forma como os bancos calculam a capacidade de pagamento do motorista. Ele argumenta que as instituições deveriam considerar que boa parte desses trabalhadores deixa de pagar aluguel de veículo assim que passa a ter carro próprio, o que muda a renda disponível para arcar com a parcela.
A renda de motorista de aplicativo costuma ser informal e variável, sem holerite nem comprovante fixo. Esse perfil é justamente o que os modelos tradicionais de análise de crédito tratam como risco elevado.
Para tentar reduzir a trava, o governo somou nesta semana R$ 1 bilhão em garantias à iniciativa. O reforço funciona como cobertura parcial em caso de inadimplência, mecanismo desenhado para dar segurança ao banco e permitir a aprovação de perfis que hoje ficam de fora.
Como o reforço de garantias muda a análise do banco
Fundo garantidor funciona como um colchão: se o tomador deixa de pagar, parte da perda do banco é coberta com recursos públicos aportados no fundo. Com isso, a instituição pode aprovar contratos que, pelo modelo tradicional de risco, seriam recusados.
O efeito prático depende de dois fatores. O primeiro é a fatia da operação efetivamente coberta, já que uma cobertura baixa muda pouco a decisão do banco. O segundo é a velocidade de acionamento da garantia em caso de calote, porque garantia de execução lenta é tratada pelo mercado como garantia de valor menor.
O aporte de R$ 1 bilhão anunciado nesta semana atua justamente nesse ponto, sem alterar a taxa de juros anunciada. A taxa é o preço do dinheiro. A garantia mexe em quem consegue chegar até ele.
O que o trabalhador de Brasília precisa observar
Para quem dirige por aplicativo no Distrito Federal, três pontos merecem atenção antes de assinar o contrato:
- A taxa anunciada é o teto do programa, não uma taxa garantida. O custo efetivo total inclui tarifas, seguro e IOF.
- A carência adia a amortização, mas não suspende os juros do período.
- A aprovação depende de análise individual do banco, com consulta a restrições no CPF.
O cadastro no programa não garante a contratação. O passo seguinte é a negociação direta com a instituição financeira escolhida, que aplica os próprios critérios de risco.
O que fazer se o financiamento for recusado
A recusa não encerra o processo. Quem teve o crédito negado pode adotar as seguintes medidas antes de tentar de novo:
- Consultar a situação do CPF nos birôs de crédito e regularizar pendências, que são o motivo mais comum de reprovação automática.
- Reunir comprovação de renda da atividade, como extratos de repasse das plataformas dos últimos meses, que ajudam a demonstrar faturamento recorrente.
- Testar mais de uma instituição, já que cada banco tem política própria de risco para o mesmo programa.
- Pedir por escrito o motivo da recusa, direito previsto na legislação de proteção ao consumidor e no Cadastro Positivo.
Vale comparar também o custo total do financiamento com o gasto atual de aluguel de veículo. Para quem roda diariamente em Brasília, onde as distâncias entre regiões administrativas são longas, o cálculo precisa incluir combustível, manutenção, seguro e depreciação, e não apenas a diferença entre a parcela e a diária da locadora.
Quem fechar a compra ainda precisa resolver a papelada do veículo no Distrito Federal. Veja quais documentos são exigidos na transferência de veículo no DF e como emitir o CRLV 2026 pelo Detran-DF.
Perguntas frequentes
O que é o Move Brasil?
É o programa federal de crédito que financia veículos de até R$ 150 mil, com juros abaixo do mercado, para taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores que usam o veículo como ferramenta de trabalho. A linha de financiamento é operada pelo BNDES sob o nome Move Motoristas.
Como se cadastrar no Move Brasil?
Pelo portal do programa no gov.br, com conta gov.br. O profissional informa CPF e senha, escolhe a categoria, autoriza a verificação dos dados e recebe a resposta em até cinco dias úteis. Aprovado o cadastro, o passo seguinte é procurar a Caixa, o Banco do Brasil ou outra instituição credenciada.
Quem pode participar do Move Brasil?
Motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e 100 corridas na mesma plataforma, taxistas com licenças e registros ativos, e entregadores com pelo menos 6 meses de cadastro e 100 entregas, ou 6 meses de carteira assinada.
Qual é o juro do Move Brasil?
Até 11,5% ao ano para mulheres e até 12,6% ao ano para os demais, com prazo de até 72 meses e carência de até seis meses. A taxa final depende da análise do banco.
Até quando dá para contratar o financiamento?
Até 15 de setembro de 2026, prazo de vigência da Medida Provisória 1.359/2026. O BNDES informa que o programa pode ser encerrado antes se o orçamento disponível acabar.
Por que poucos inscritos conseguiram o financiamento?
Até 14 de julho, só 1,7% dos inscritos tinham fechado contrato. O travamento está na análise de capacidade de pagamento feita pelos bancos, já que a renda desses trabalhadores costuma ser informal e variável.





