O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou neste sábado (8) das exigências feitas pelos bancos para liberar o financiamento do Move Brasil, programa voltado à compra de veículos por motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores. Segundo ele, as condições impostas pelas instituições financeiras dificultam o acesso ao crédito de quem já foi aprovado no cadastro.
A cobrança acontece diante de um número que expõe o gargalo do programa: até 14 de julho, apenas 1,7% dos trabalhadores inscritos tinham conseguido fechar contrato.
Como funciona o Move Brasil
O programa oferece financiamento com juros reduzidos para a compra de automóveis por profissionais que usam o carro como ferramenta de trabalho. As condições divulgadas são as seguintes:
- Valor do veículo: financiamento de carros de até R$ 150 mil.
- Juros: até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres.
- Prazo: até 72 meses para quitação.
- Carência: seis meses antes do início do pagamento das parcelas.
- Público: motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores.
Mesmo com a taxa abaixo da praticada no mercado de financiamento de veículos, o contrato depende da análise de crédito de cada banco. É nessa etapa que a maior parte dos inscritos tem parado.
Onde o crédito trava
Um dos pontos levantados pelo presidente envolve a forma como os bancos calculam a capacidade de pagamento do motorista. Ele argumenta que as instituições deveriam considerar que boa parte desses trabalhadores deixa de pagar aluguel de veículo assim que passa a ter carro próprio, o que muda a renda disponível para arcar com a parcela.
A renda de motorista de aplicativo costuma ser informal e variável, sem holerite nem comprovante fixo. Esse perfil é justamente o que os modelos tradicionais de análise de crédito tratam como risco elevado.
Para tentar reduzir a trava, o governo somou nesta semana R$ 1 bilhão em garantias à iniciativa. O reforço funciona como cobertura parcial em caso de inadimplência, mecanismo desenhado para dar segurança ao banco e permitir a aprovação de perfis que hoje ficam de fora.
Como o reforço de garantias muda a análise do banco
Fundo garantidor funciona como um colchão: se o tomador deixa de pagar, parte da perda do banco é coberta com recursos públicos aportados no fundo. Com isso, a instituição pode aprovar contratos que, pelo modelo tradicional de risco, seriam recusados.
O efeito prático depende de dois fatores. O primeiro é a fatia da operação efetivamente coberta, já que uma cobertura baixa muda pouco a decisão do banco. O segundo é a velocidade de acionamento da garantia em caso de calote, porque garantia de execução lenta é tratada pelo mercado como garantia de valor menor.
O aporte de R$ 1 bilhão anunciado nesta semana atua justamente nesse ponto, sem alterar a taxa de juros anunciada. A taxa é o preço do dinheiro. A garantia mexe em quem consegue chegar até ele.
O que o trabalhador de Brasília precisa observar
Para quem dirige por aplicativo no Distrito Federal, três pontos merecem atenção antes de assinar o contrato:
- A taxa anunciada é o teto do programa, não uma taxa garantida. O custo efetivo total inclui tarifas, seguro e IOF.
- A carência de seis meses adia a primeira parcela, mas os juros do período continuam correndo sobre o saldo.
- A aprovação depende de análise individual do banco, com consulta a restrições no CPF.
O cadastro no programa não garante a contratação. O passo seguinte é a negociação direta com a instituição financeira escolhida, que aplica os próprios critérios de risco.
O que fazer se o financiamento for recusado
A recusa não encerra o processo. Quem teve o crédito negado pode adotar as seguintes medidas antes de tentar de novo:
- Consultar a situação do CPF nos birôs de crédito e regularizar pendências, que são o motivo mais comum de reprovação automática.
- Reunir comprovação de renda da atividade, como extratos de repasse das plataformas dos últimos meses, que ajudam a demonstrar faturamento recorrente.
- Testar mais de uma instituição, já que cada banco tem política própria de risco para o mesmo programa.
- Pedir por escrito o motivo da recusa, direito previsto na legislação de proteção ao consumidor e no Cadastro Positivo.
Vale comparar também o custo total do financiamento com o gasto atual de aluguel de veículo. Para quem roda diariamente em Brasília, onde as distâncias entre regiões administrativas são longas, o cálculo precisa incluir combustível, manutenção, seguro e depreciação, e não apenas a diferença entre a parcela e a diária da locadora.
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Perguntas frequentes
Quem pode participar do Move Brasil?
Motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores que usam o veículo como ferramenta de trabalho.
Qual é o juro do Move Brasil?
Até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, com prazo de até 72 meses e carência de seis meses. A taxa final depende da análise do banco.
Por que poucos inscritos conseguiram o financiamento?
Até 14 de julho, só 1,7% dos inscritos tinham fechado contrato. O travamento está na análise de capacidade de pagamento feita pelos bancos, já que a renda desses trabalhadores costuma ser informal e variável.








