O edital do leilão do Aeroporto Internacional de Brasília está próximo de avançar para a etapa decisiva. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou nesta terça-feira (25/3) que o documento deve ser encaminhado ao plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) nos próximos 15 dias. A declaração foi feita durante o lançamento da Agenda Conectar, em Brasília.
Segundo o ministro, o relator responsável pela análise é o ministro Antônio Anastasia, e há uma perspectiva favorável para que o certame ocorra ainda no segundo semestre de 2026. Silvio Costa Filho destacou o desempenho recente do terminal como argumento para o processo: o aeroporto registrou crescimento superior a 20% no primeiro trimestre do ano.
Concessão em bloco: Brasília mais 10 regionais
O modelo adotado pelo governo federal para o leilão é o de concessão em bloco. Isso significa que a empresa vencedora não administrará apenas o Aeroporto Internacional de Brasília — ela assumirá também outros dez aeroportos regionais distribuídos pelo país. A estratégia cria um subsídio cruzado entre o terminal lucrativo da capital e estruturas menores que, individualmente, não despertam interesse do setor privado.
Os aeroportos que integram o pacote são:
- Alto Paraíso (GO)
- Barreiras (BA)
- Bonito (MS)
- Cáceres (MT)
- Dourados (MS)
- Juína (MT)
- Ponta Grossa (PR)
- São Miguel do Araguaia (GO)
- Tangará da Serra (MT)
- Três Lagoas (MS)
Oito dos dez terminais ficam na região Centro-Oeste, um no Paraná e um na Bahia. O Aeroporto de Brasília movimentou 8 milhões de passageiros em 2025, o que sustenta economicamente o conjunto.
Leilão previsto para dezembro
O governo planeja realizar o certame no início de dezembro, após o período eleitoral municipal. Antes disso, o TCU precisa concluir a análise das regras do edital e levá-las a votação no plenário.
O leilão de Brasília acontecerá na esteira do certame do Aeroporto do Galeão, agendado para 30 de março, com lance mínimo de R$ 932 milhões. Brasília, Viracopos e Guarulhos foram os primeiros aeroportos concedidos à iniciativa privada no Brasil, em 2012, durante o governo Dilma Rousseff. Os contratos originais geraram desequilíbrios financeiros que precisaram ser renegociados junto ao TCU.
O que é a Agenda Conectar
O lançamento da Agenda Conectar reuniu o Ministério de Portos e Aeroportos, o Ministério do Desenvolvimento (MDIC), a Anac e o Decea em torno de um conjunto de medidas para ampliar o acesso ao transporte aéreo, reduzir custos operacionais e garantir mais segurança jurídica ao setor. Cerca de 40 empresas dos segmentos de infraestrutura, turismo, serviços e indústria aeronáutica manifestaram apoio à iniciativa.
O chefe de Gabinete do MDIC e da Vice-Presidência da República, Pedro Guerra, reforçou que o programa estabelece uma agenda de competitividade e interiorização do desenvolvimento que transcende o atual governo.








