Um advogado brasiliense virou alvo sistemático de estelionários que se apropriam do seu nome, foto e reputação profissional para enganar vítimas em todo o país. O jurista Kenneth Chavante já contabiliza ao menos 20 boletins de ocorrência registrados contra o esquema que evoluiu para uma modalidade ainda mais agressiva: a oferta de falsos empréstimos em seu nome.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Chavante reuniu e entregou às autoridades um conjunto de provas que inclui prints de conversas, áudios e imagens utilizados pelos golpistas nas abordagens às vítimas.
Golpistas chegaram a ligar para a mãe do advogado
A escalada do esquema foi além da fraude financeira. Criminosos passaram a contatar diretamente pessoas próximas ao advogado, tentando se passar por ele. A mãe de Chavante recebeu ligações dos golpistas ao menos três vezes e atendeu em duas delas. O próprio jurista também passou a ser alvo de ameaças vindas de números desconhecidos.
A situação, segundo ele, mistura indignação com preocupação real com a dimensão que o esquema tomou tanto pelos danos financeiros às vítimas quanto pelo desgaste à sua imagem profissional.
Como uma vítima identificou o golpe antes de ser lesada
Em um dos casos mais recentes, uma mulher do interior de São Paulo foi abordada com uma proposta de empréstimo “boa demais para ser verdade”. Desconfiada, ela pesquisou a foto enviada pelos golpistas no Google e descobriu que a imagem pertencia a um advogado real, registrado no DF. Ela entrou em contato com Chavante pelo Instagram e conseguiu evitar o prejuízo.
A história ilustra tanto a sofisticação do golpe que usa a credibilidade de um profissional real para parecer legítimo quanto a importância da verificação antes de qualquer transação com desconhecidos.
DF registrou 1.586 denúncias em apenas 14 meses
O caso de Chavante é parte de um fenômeno muito maior. Segundo dados da diretoria de Prerrogativas da OAB-DF, o Distrito Federal acumulou 1.586 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado entre janeiro de 2025 e março de 2026. As queixas chegam à entidade acompanhadas de boletins de ocorrência, prints de conversas, números de telefone dos golpistas e registros de acessos irregulares a sistemas de processos judiciais.
Projeto de lei quer tipificar crime com pena de até 8 anos
A explosão de casos impulsionou a tramitação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados que propõe incluir o golpe do falso advogado no Código Penal. A proposta conta com apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e segue agora para apreciação do Senado Federal.
O texto estabelece pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa, para quem se passar por advogado ou qualquer outro profissional indispensável à Justiça com o objetivo de obter vantagem ilícita. O projeto também prevê uma série de medidas estruturais para coibir o crime, entre elas: bloqueio ágil de linhas telefônicas e contas bancárias usadas em fraudes, devolução prioritária dos valores às vítimas, proteção reforçada de dados nos processos judiciais, verificação obrigatória de registro na OAB e maior controle de acesso aos sistemas do Judiciário.
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