Fiocruz alerta para fumaça das queimadas no Amazonas e o risco à saúde das comunidades indígenas
Observatório de Clima e Saúde mostra que Manaus teve episódios de PM2.5 muito acima do limite da OMS no início de outubro e prepara o sistema AlertAr Saúde para territórios indígenas.

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Pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgaram um levantamento que aponta a poluição do ar das queimadas e dos incêndios florestais no Amazonas como risco à saúde da população, em especial das comunidades indígenas, que têm mais dificuldade de acesso a serviços de saúde. O documento foi apresentado nesta terça-feira, 13, e noticiado pela Agência Brasil.
O estudo reúne medições de material particulado fino (PM2.5), a localização dos focos de incêndio e as previsões de qualidade do ar para diferentes pontos do estado. Nos primeiros dias de outubro, segundo os pesquisadores, Manaus teve episódios de poluição intensa, com concentrações de PM2.5 muito acima do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que é o PM2.5 e por que preocupa
PM2.5 é o nome das partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, bem menores que um fio de cabelo. Elas penetram fundo nos pulmões e, em certas condições, chegam à circulação sanguínea. A Fiocruz associa a exposição ao agravamento de asma e ao aumento do risco de infarto e de AVC. O risco se estende a toda a população, mas é maior em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças prévias.
Como referência, as diretrizes da OMS de 2021 recomendam que a média diária de PM2.5 não passe de 15 microgramas por metro cúbico e a média anual, de 5. O levantamento da Fiocruz não detalha, no resumo divulgado, os valores medidos em Manaus a cada dia.
Territórios indígenas
Nas aldeias, segundo o documento, a fumaça pesa mais por causa das desigualdades socioambientais, das distâncias e da dificuldade de chegar à atenção especializada e de maior complexidade. O levantamento cruza a distribuição de PM2.5, observada e prevista, com os focos de fogo e a localização das aldeias.
Entre os temas do documento está o AlertAr Saúde, sistema em desenvolvimento pelo Observatório de Clima e Saúde em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. A ferramenta vai integrar previsões de concentração de PM2.5 com informações de focos de calor e de incêndio, para apontar com antecedência onde a exposição tende a ser maior. A ideia é que os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) usem os dados para planejar vigilância, prevenção e resposta.
El Niño em 2026 e 2027
A publicação também trata dos efeitos prováveis do El Niño mais intenso em 2026 e 2027 sobre o clima da Amazônia. O fenômeno pode favorecer períodos de estiagem e aumentar o risco de propagação de incêndios em algumas áreas, o que reforça a necessidade de acompanhar as condições ambientais, segundo os autores.
A situação no estado já levou a respostas do poder público. A FAB enviou aeronaves KC-390 para combater incêndios em municípios do Amazonas em situação de emergência, como o SouBrasília noticiou na segunda-feira. No Distrito Federal, o mesmo fenômeno aparece em outra escala: veja o que o El Niño de 2026 significa para as queimadas no DF.
Fonte: Agência Brasil, 13 de outubro de 2026.






