Donas de casa no mercado de trabalho elevariam o PIB em 2,2%, ou R$ 284 bilhões, calcula estudo da FGV
13 milhões de mulheres fora do mercado por causa do cuidado da casa e da família somariam R$ 284 bilhões ao PIB de 2025, estima a FGV.

Neste texto4 tópicos
Se as 13 milhões de mulheres brasileiras que hoje ficam fora do mercado de trabalho para cuidar da casa e da família tivessem uma ocupação remunerada, o Produto Interno Bruto (PIB) do país seria 2,2% maior. A conta é de um estudo das economistas Isabela Duarte Kelly e Hildete Pereira de Melo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), com dados da Pnad Contínua de 2025, do IBGE, divulgado pela Folhapress.
Quanto isso representaria em reais
Em 2025, o ganho líquido estimado é de R$ 284 bilhões: R$ 320,3 bilhões de renda adicional, menos R$ 36 bilhões que essas mulheres deixariam de receber do Bolsa Família ao entrar no emprego. O cálculo considera só donas de casa com menos de 65 anos e usa o salário médio de mulheres com a mesma escolaridade. Para quem tem ensino médio completo, a maioria do grupo, o rendimento médio em 2025 foi de R$ 2.162 por mês.
| Ano | Renda acrescida (R$ bilhões) | Descontado o Bolsa Família (R$ bilhões) | Em % do PIB |
|---|---|---|---|
| 2022 | 242,6 | 20,8 | 2,2% |
| 2023 | 268,2 | 34,0 | 2,1% |
| 2024 | 292,3 | 36,1 | 2,2% |
| 2025 | 320,3 | 36,0 | 2,2% |
Fonte: estudo FGV com microdados da Pnad Contínua/IBGE, conforme a Folhapress. Os valores foram convertidos de milhões para bilhões.
Quem são as 13 milhões de mulheres
Hoje, 47% das mulheres brasileiras estão fora da força de trabalho, o que dá 42,8 milhões de pessoas. Dessas, 13 milhões dizem que não trabalham nem procuram emprego porque precisam cuidar da casa, dos filhos e de outros familiares. Em média, elas dedicam 32 horas por semana a esse trabalho de cuidado, sem remuneração.
A participação feminina na força de trabalho quase não se mexeu em 13 anos de série histórica: era de 52% em 2012 e chegou a 53% em 2025. O estudo recorta apenas essas 13 milhões porque nem todas as 42,8 milhões teriam condições de entrar no mercado.
O que precisa existir para elas entrarem no mercado
Segundo Isabela Duarte Kelly, a entrada no emprego depende de infraestrutura de cuidado. No caso de mães, creche e escola em tempo integral. No caso de quem cuida de idosos, centros-dia. Ela defende que o tema seja tratado como pauta econômica, e não só social, porque o efeito aparece na renda das famílias e na Previdência Social.
A pesquisadora também ressalva que programas como o Bolsa Família são "medida paliativa necessária" para quem não consegue entrar no mercado, mas não devem ser a solução definitiva. E lembra que o grupo analisado não é formado por mulheres que não querem trabalhar: elas apontam a falta de tempo, por causa das responsabilidades domésticas, como o obstáculo.
E no Distrito Federal?
O estudo é nacional e não traz recorte por unidade da federação, então não há como projetar o número para o DF a partir dele. O que o Distrito Federal tem de relevante para a conta é a oferta de creche pública: como o SouBrasília mostrou, o DF é o único estado com 100% das creches públicas para crianças de 0 a 3 anos. Sobre o mercado de trabalho local, o boletim do IPEDF e do Dieese sobre trabalho doméstico no DF traz os números mais recentes.
Para as famílias, a leitura prática é objetiva: onde há vaga em creche e escola em tempo integral, a conta das pesquisadoras fica mais próxima da realidade. Onde não há, o trabalho de cuidado continua recaindo sobre as mulheres da casa. O objetivo declarado das autoras é chamar a atenção para o peso do trabalho doméstico e de cuidados não remunerado na participação feminina e para o potencial econômico dessas mulheres.






