O Distrito Federal concentrou em 24 horas as duas convenções mais aguardadas do calendário eleitoral. Neste sábado (1º/8), PSD e Avante lançaram José Roberto Arruda ao Governo do DF, no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Neste domingo (2/8), às 9h, a federação União Progressista homologa a candidatura da governadora Celina Leão à reeleição, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
As duas chegam ao palanque em estágios diferentes de costura.
Arruda saiu da convenção sem vice
O ato do CICB confirmou o retorno do ex-governador a uma disputa eleitoral depois de 16 anos, mas terminou sem a definição mais aguardada: quem ocupa a vaga de vice.
O próprio Arruda explicou a decisão de deixar o ponto em aberto:
“Deixaremos as atas em aberto porque, na política, quem tem tempo não tem pressa.”
Seguem cotados para a posição o ex-senador Gim Argello, presidente do Avante-DF, e seu filho Jorge Argello. Nas semanas anteriores, Arruda também convidou formalmente o Podemos a indicar Luiz França, secretário-geral nacional do partido, e chegou a sugerir o nome do ex-deputado Ronaldo Fonseca.
A vaga ao Senado também segue sem desfecho. No dia 29 de julho, Arruda e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciaram o empresário Paulo Octávio para a vaga, durante almoço com prefeitos do Entorno. Paulo Octávio — que preside o PSD no DF e foi vice-governador na gestão do próprio Arruda — negou ao Correio Braziliense ter confirmado a pré-candidatura, e disse que o anúncio foi forma de pressioná-lo.
O palanque nacional de Caiado
A convenção teve presença de Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, e de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido e candidato a vice na chapa dele. O ato funcionou também como montagem do palanque presidencial do PSD na capital federal.
Caiado deixou o União Brasil em janeiro e se filiou ao PSD no dia 27 daquele mês, no mesmo movimento que levou os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR) à legenda.
O que Arruda sinalizou de programa
No discurso, o ex-governador tratou de dois temas de gestão. Sobre transporte, defendeu abertura a investimento privado:
“Certamente, vamos precisar de capital privado. Eu não falo em privatização, mas estou aberto às parcerias público-privadas.”
Sobre o BRB, fez uma ressalva:
“O único porém é que estou falando tudo isso sem que eu ou vocês conheçam o real tamanho do buraco.”
Sobre o metrô, comentou o descarrilamento recente e afirmou que o sistema foi “canibalizado”. Para o BRB — que atravessa crise após os negócios com o Banco Master —, sugeriu fechar 19 agências físicas fora do DF, cortar patrocínios e negociar com o governo federal a aplicação do Fundo do Centro-Oeste, de R$ 15 bilhões, no banco.
Sobre os 16 anos afastado das urnas, disse ter “atravessado um deserto”. E sinalizou o prazo com que trabalha para resolver a chapa: “A legislação nos confere possibilidade do registro até o dia 15 de agosto.”
A pendência jurídica que segue aberta
Arruda continua inelegível. Em decisão publicada em 20 de fevereiro deste ano, o TJDFT negou agravo interno do ex-governador e manteve sua condenação por improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por 12 anos, R$ 1 milhão em dano moral coletivo, mais de R$ 700 mil em multa cível atualizada e R$ 700 mil em reparação de dano.
A tese da defesa é que a Lei Complementar 219/2025 antecipou o marco inicial da contagem, que passaria a correr da primeira condenação colegiada, em 2014. A norma está sob julgamento no STF, em ação da Rede Sustentabilidade: a análise foi suspensa em 28 de maio por pedido de vista de Gilmar Mendes, com o placar em 2 a 0 pela inconstitucionalidade — votos da relatora Cármen Lúcia e de Luiz Fux. O voto de Gilmar é esperado até 26 de agosto.
Na prática, Arruda pode ser homologado, registrar candidatura e fazer campanha enquanto o Supremo não conclui.
Neste domingo, a federação sobe ao palanque com a chapa fechada
A convenção da União Progressista — federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil — está marcada para as 9h de domingo, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
O encontro homologa dois nomes de uma vez: Celina Leão (PP) como candidata ao Governo do Distrito Federal e Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador. É a diferença mais visível entre as duas convenções — a federação chega com a chapa majoritária completa.
Ao convocar os apoiadores, Celina usou o mote que batiza a mobilização: “O rugido da Leoa vai ecoar por todo o DF”.
A expectativa da organização é de caravanas das regiões administrativas, além de parlamentares e pré-candidatos das duas legendas. Entre os nomes da nominata conjunta aparecem Pepa, Eduardo Pedrosa, Pastor Daniel de Castro, Valdelino Barcelos e Cláudio Abrantes. A avaliação nos bastidores da federação é de que a lista unificada tenha potencial para eleger até quatro deputados — projeção da própria legenda, ainda sem teste em urna.
O que dizem as pesquisas
O levantamento mais recente divulgado é do Paraná Pesquisas, feito entre 17 e 19 de julho, com 1.500 entrevistas no Distrito Federal, margem de erro de 2,6 pontos percentuais e 95% de confiança. O registro no TSE é o DF-01326/2026.
No cenário estimulado de primeiro turno:
- Celina Leão (PP) — 34,6%
- José Roberto Arruda — 28,1%
A diferença de 6,5 pontos está acima da margem de erro. Num cenário simulado sem a participação de Arruda, Celina chega a 45,9%. Na pesquisa espontânea, sem nomes apresentados, ela aparece com 12,3% e Arruda com 7,4%.
O mesmo levantamento mediu a avaliação do governo: 58,3% aprovam e 37,6% desaprovam.
Pesquisa do instituto Exata OP, registrada sob o número DF-02994/2026, aponta quadro semelhante. Os dois levantamentos indicam a possibilidade de a disputa ir ao segundo turno, com Arruda como principal adversário da governadora.
O calendário
As convenções partidárias no Distrito Federal seguem até 5 de agosto, prazo final para as legendas formalizarem candidaturas e chapas proporcionais.
Serviço Convenção União Progressista (PP + União Brasil) Domingo, 2 de agosto, às 9h Centro de Convenções Ulysses Guimarães — Eixo Monumental
Com informações do Metrópoles, do Correio Braziliense, do Jornal de Brasília, do O Hoje e do Diário do Poder.
Foto de capa: reprodução.








