O candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, prometeu nesta terça-feira (18) zerar em até 24 meses as filas de espera por consultas, exames e procedimentos cirúrgicos na rede pública de saúde do DF. A declaração foi dada durante sabatina do programa Balanço Geral, da Record Brasília, e foi batizada por ele de programa Fila Zero.
Ao detalhar a proposta, o candidato rejeitou a tese de que a saúde do DF esteja limitada por falta de recursos. “Falta de dinheiro não é o problema”, afirmou, ao apontar a gestão como o principal obstáculo. Segundo Cappelli, o orçamento destinado ao setor no Distrito Federal ultrapassa R$ 1 bilhão por mês.
Os números apresentados pelo candidato
Na sabatina, Cappelli apresentou o que considera o déficit de pessoal da rede pública distrital. Os números citados por ele foram:
- 5,3 mil médicos;
- 4,2 mil técnicos de enfermagem;
- 2,3 mil enfermeiros;
- 1,9 mil agentes comunitários de saúde.
Em entrevista anterior, no início de agosto, o candidato já havia apresentado a proposta do Fila Zero e classificado a situação da saúde no DF como calamitosa. Na ocasião, citou mais de 30 mil pessoas à espera de cirurgia e mais de 1 milhão de consultas e exames pendentes, além de defender parcerias público-privadas para ampliar a oferta de procedimentos. Os números são atribuídos por ele e não constam de balanço divulgado pela Secretaria de Saúde.
O candidato não detalhou na entrevista a metodologia usada para chegar a esses números nem o custo da contratação necessária para preencher as vagas apontadas. Também não apresentou o cronograma de execução do Fila Zero mês a mês, nem a fonte orçamentária que bancaria a expansão de atendimentos no prazo prometido.
A Secretaria de Saúde do DF não se manifestou sobre os dados apresentados pelo candidato até a publicação desta reportagem. O Palácio do Buriti também não comentou publicamente as declarações feitas na sabatina.
A saúde no centro da disputa pelo Buriti
A promessa se soma a outras apresentadas pelo candidato desde o início de agosto. Na convenção do PSB, Cappelli falou em reorganizar a rede e elevar a remuneração dos professores. Dias depois, prometeu editar um decreto no primeiro dia de governo para enfrentar o esgoto a céu aberto. Na semana passada, apresentou um pacote de mobilidade com faixa exclusiva, BRT e ampliação do metrô para Gama, Santa Maria e Asa Norte.
A fila da saúde é um tema recorrente na disputa distrital porque envolve dois indicadores que o eleitor percebe no dia a dia: o tempo de espera por uma consulta com especialista e o intervalo entre a indicação de uma cirurgia eletiva e a data da internação. No DF, a regulação desses atendimentos é feita pela Secretaria de Saúde, que distribui as vagas entre as unidades da rede e os serviços contratados.
Quem espera por atendimento pode acompanhar a posição na fila pelos canais oficiais da SES-DF. A consulta exige o número do Cartão SUS e mostra a situação da solicitação registrada pela unidade que encaminhou o paciente.
A fila não anda em ordem simples de chegada. A regulação classifica cada pedido por risco clínico, e casos considerados prioritários passam à frente dos demais. Por isso, dois pacientes encaminhados no mesmo dia para a mesma especialidade podem ser chamados com meses de diferença. Esse é um dos motivos pelos quais qualquer meta de zerar a fila depende de definir antes o que está sendo contado: o total de solicitações abertas, o tempo médio de espera ou o número de pacientes que já passaram do prazo recomendado para o procedimento.
A rede pública do DF é formada por hospitais regionais, unidades de pronto atendimento e centenas de equipes de saúde da família, que fazem a porta de entrada e encaminham o paciente aos serviços especializados. Quando falta profissional em uma ponta, o efeito aparece na outra: sem médico de família suficiente, cresce a procura por pronto-socorro, e sem especialista, o encaminhamento fica parado na regulação.
O que ainda precisa ser explicado
Três pontos da proposta seguem sem detalhamento público. O primeiro é a origem do dinheiro: zerar consultas, exames e cirurgias em dois anos exige ampliar a oferta de procedimentos, e o candidato afirmou que o problema não é orçamentário. O segundo é o modelo de contratação, já que a reposição de mais de 13 mil profissionais depende de concurso, de contratos temporários ou de parcerias com a rede privada. O terceiro é a régua de aferição: sem um número oficial de partida para a fila atual, não há como medir depois se a meta foi cumprida.
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente em 16 de agosto. A partir dessa data, candidatos podem pedir voto de forma expressa e fazer propaganda nas ruas e nas redes sociais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
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