seg, 28 set
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Árvore com risco de cair: os 8 itens que definem se os bombeiros cortam no DF

A vistoria do CBMDF tem oito perguntas objetivas e basta um sim para a árvore ser cortada. Fora disso, o caso é da Novacap, da Neoenergia ou da Caesb.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Árvore caída sobre calçada, ao lado de carro estacionado em rua residencial
Foto: Divulgação/PMPA via Wikimedia Commons
Neste texto5 tópicos
  1. Os oito itens que o bombeiro marca na vistoria
  2. Por que o pedido de "ameaça de queda" costuma ser recusado
  3. Quando o caso é da Novacap, da Neoenergia ou da Caesb
  4. O que você recebe se a resposta for não
  5. Como acionar cada um

Nem toda árvore com risco de cair é caso de bombeiro. No Distrito Federal, a guarnição só corta quando a vistoria marca "sim" em pelo menos um de oito itens, e o restante vai para a Novacap, a Neoenergia ou a Caesb.

A régua está em dois procedimentos operacionais publicados pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF: o POP de corte de árvores e o de averiguação para corte de árvore emergencial, na versão 1.0/2024, publicado no Boletim Geral 104/2024. O responsável pelos dois é o Grupamento de Proteção Ambiental.

O assunto volta ao calendário agora. A estação chuvosa recomeça em Brasília, e vento e solo encharcado são exatamente o que derruba árvore urbana com raiz comprometida. Saber de antemão quem atende evita a ligação perdida e a espera por uma viatura que não vai sair.

Tabela com quem aciona em cada caso de árvore no DF
A divisão de responsabilidade entre bombeiros, Novacap e concessionáriasArte: SouBrasília

Os oito itens que o bombeiro marca na vistoria

O relatório que o militar preenche no local tem oito perguntas objetivas. Basta uma resposta "sim" para o corte ser feito:

  1. A árvore apresenta rachaduras que comprometam a sustentação.
  2. O tronco está consumido ou deteriorado em 30% ou mais por insetos, fogo, fungos e outros agentes.
  3. O caule tem inclinação superior a 30 graus em relação ao solo.
  4. Há raízes rompidas que comprometem a estabilidade.
  5. Tronco ou galhos estão secos ou mortos.
  6. Há infiltração visível de raízes sob a estrutura de uma edificação, com risco ao patrimônio, às pessoas ou a animais.
  7. A árvore caiu sobre pessoas ou bens.
  8. A árvore caiu obstruindo via pública e atrapalha a passagem de pedestres ou veículos.

O procedimento acrescenta uma condição que costuma passar despercebida: essas situações precisam estar associadas a perigo iminente à vida ou ao patrimônio. Sem esse vínculo, a ocorrência perde o caráter de emergência, mesmo que a árvore esteja visivelmente ruim.

A vistoria não é só olhar. A dupla de militares usa capacete, marreta de borracha e sovela ou chave de fenda para perfurar o tronco e encontrar madeira podre ou cavidade que não aparece por fora. E o texto registra um limite honesto: "não há como afirmar impossibilidade de queda, pois nunca uma árvore se caracterizará como isenta".

Por que o pedido de "ameaça de queda" costuma ser recusado

Essa é a recusa mais comum e tem explicação escrita. O POP de corte diz que avaliar ameaça de queda exige profissional com habilitação legal, no caso o engenheiro agrônomo, e que o CBMDF não tem esse profissional no quadro. A análise fitossanitária, portanto, fica fora do alcance da guarnição.

A consequência prática: em pedido de ameaça de queda, a corporação considera imprescindível que o solicitante apresente laudo de profissional habilitado atestando o risco iminente. É esse documento que transforma o chamado em serviço emergencial.

A atribuição do CBMDF, diz o mesmo texto, é retirar árvore ou galho de grande porte já caído em via pública, que possa provocar outro acidente, e também o vegetal parcialmente tombado, solto da base e apoiado em muro, edificação ou outro anteparo. Nesse caso o risco de queda é real e a viatura vai.

Quando o caso é da Novacap, da Neoenergia ou da Caesb

Em situação não emergencial, ou quando a árvore está apenas soltando frutos, o procedimento manda a guarnição orientar o solicitante a isolar a área e providenciar poda ou corte por empresa especializada ou pela Novacap, pelo telefone 162 ou pela Ouvidoria do DF.

Há ainda os casos que nunca foram de bombeiro nem de Novacap. Galho atingindo rede elétrica ou de telefonia e raiz danificando rede de esgoto, de água ou pluvial em espaço público são responsabilidade das concessionárias: Neoenergia, Caesb e as operadoras de telefonia. Quando a ocorrência envolve rede elétrica, o próprio POP manda a central acionar a Neoenergia.

Quem quiser entender o caminho do pedido não emergencial encontra o passo a passo em como pedir tapa-buraco, iluminação e poda de árvore ao GDF pela Novacap.

O que você recebe se a resposta for não

Se a vistoria concluir que não há hipótese de supressão ou poda, o chefe da viatura precisa entregar ao solicitante uma via do relatório preenchido e assinado, com o motivo descrito no campo de observações. Uma cópia vai para processo administrativo da unidade. O morador sai com um documento, não com uma resposta verbal.

Também há regra para o entorno. Na hora do corte, o isolamento tem de formar um círculo de raio mínimo igual a duas vezes a altura da árvore, com faixa, corda ou cones. Se a área não puder ser isolada com segurança ou faltarem recursos, a guarnição sinaliza o local e aciona reforço.

Como acionar cada um

  • CBMDF: 193, para árvore caída sobre pessoas, bens ou via, e para árvore tombada e apoiada em anteparo.
  • O que informar na ligação: endereço exato, porte aproximado da árvore, o que ela atingiu, se há pessoa ferida e se há fiação envolvida.
  • Novacap: 162 ou ouvidoria.df.gov.br, para poda e corte sem urgência em área pública.
  • Neoenergia: galho na rede elétrica.
  • Caesb: raiz danificando esgoto, água ou rede pluvial em espaço público.
  • Ameaça de queda: laudo de engenheiro agrônomo antes de acionar o 193.

Com a chuva voltando, vale antecipar a inspeção do quintal e da calçada em frente, olhando tronco, raiz aflorada e galho seco. E, se o temporal já estiver em cima, o que fazer no trânsito e dentro de casa está reunido no guia de o que fazer durante chuva forte no DF e quem acionar.

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