A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e miram um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado às fraudes em descontos de benefícios previdenciários.
Entre os alvos das buscas estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, e o advogado Willer Tomaz. As diligências foram cumpridas em endereços residenciais e em escritórios.
O que a Polícia Federal investiga
Segundo a corporação, as investigações avançaram depois da identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os investigadores apuram se recursos obtidos com o esquema teriam sido ocultados por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações feitas com dinheiro em espécie.
A Operação Sem Desconto trata do desconto irregular de mensalidades associativas em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aposentados e pensionistas tiveram valores retirados do benefício sem autorização, em cobranças feitas por entidades que diziam representá-los.
Busca e apreensão é medida de investigação. O cumprimento de mandado não significa condenação nem indiciamento, e todos os investigados respondem ao processo com direito a defesa.
O que dizem os investigados
O advogado Willer Tomaz afirmou que a busca e apreensão realizada em seu endereço decorre exclusivamente do fato de ele ser proprietário da aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem de caráter particular.
O senador não se manifestou publicamente sobre a operação até a publicação desta reportagem. A defesa dos familiares dele também não havia se pronunciado.
O caso já tem 48 indiciados
A Polícia Federal concluiu em julho o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, com 48 indiciamentos relacionados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O relatório foi entregue ao ministro André Mendonça, do STF, relator das investigações.
A apuração corre no Supremo porque há parlamentares entre os investigados, o que atrai a competência do tribunal por causa do foro por prerrogativa de função. Os demais alvos, sem foro, respondem em instâncias inferiores conforme o desmembramento determinado pelo relator.
Por que isso interessa a quem mora no DF
Parte das buscas foi cumprida no Distrito Federal, onde ficam a sede do INSS e os escritórios de representação de entidades ligadas à apuração. A capital concentra a estrutura administrativa da Previdência e a articulação das entidades associativas junto ao órgão.
Há ainda o efeito prático sobre o aposentado. Quem teve desconto indevido no benefício pode consultar a situação pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135 e, se houver cobrança não autorizada, pedir a devolução dos valores. O instituto abriu canais específicos de contestação depois que o esquema veio a público.
Como o desconto chegava ao benefício
O modelo apurado pela investigação parte de acordos que permitiam a entidades associativas cobrar mensalidade diretamente na folha do benefício. A cobrança só é legal com autorização expressa do aposentado, e o que a apuração aponta é a existência de filiações que o beneficiário nunca pediu.
Segundo a Polícia Federal, o grupo usaria filiações fictícias e dados de beneficiários para viabilizar os descontos automáticos em aposentadorias e pensões. Associações formalmente dirigidas por terceiros davam aparência de legalidade à operação, conforme a linha de investigação apresentada ao Supremo.
O valor descontado costuma ser baixo por benefício, de poucas dezenas de reais por mês, o que dificulta a percepção da cobrança. A soma, aplicada a um número grande de aposentados ao longo de anos, é o que dá volume financeiro ao esquema e explica o rastreamento patrimonial feito nesta fase.
Como acompanhar o caso
- Fase atual: 18 mandados de busca e apreensão cumpridos em 4 de agosto de 2026.
- Locais: Distrito Federal e Maranhão.
- Autorização: Supremo Tribunal Federal.
- Relator: ministro André Mendonça.
- Etapa anterior: primeiro inquérito concluído em julho, com 48 indiciamentos.
As investigações seguem em andamento e novas fases podem ser autorizadas conforme a análise do material apreendido. O prazo do inquérito é definido pelo relator e pode ser prorrogado a pedido da Polícia Federal.
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Perguntas frequentes
Quantos mandados foram cumpridos na nova fase da Operação Sem Desconto?
Foram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridos em 4 de agosto de 2026 no Distrito Federal e no Maranhão.
Quem são os alvos das buscas?
Familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz, segundo a Polícia Federal. Nenhum deles foi condenado; a medida é de investigação.
O que a Operação Sem Desconto apura?
Descontos irregulares de mensalidades associativas em aposentadorias e pensões do INSS e, nesta fase, a suposta lavagem do dinheiro obtido com o esquema.
Como saber se tive desconto indevido na aposentadoria?
A consulta pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, onde também é possível contestar a cobrança e pedir a devolução dos valores.








