A mulher que amamenta tem cerca de 11% menos chance de desenvolver uma doença cardiovascular do que a mulher que não amamenta. O dado é destacado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) neste Agosto Dourado, mês de incentivo ao aleitamento materno, e desloca o foco da campanha da saúde do bebê para a da mãe.
A proteção aumenta conforme o tempo de amamentação. Segundo a entidade, quem amamenta por períodos mais longos tem 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC) e 14% menos risco de infarto. As publicações analisadas trabalham com períodos em torno de 18 meses de amamentação, somando um ou mais filhos.
O recorte importa porque a doença cardiovascular é a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, e não o câncer de mama, como parte do público supõe. As doenças do coração e da circulação respondem por cerca de um terço da mortalidade feminina e matam sete vezes mais que o câncer de mama.
Por que a amamentação protege o coração
A explicação apresentada pelos cardiologistas é fisiológica. A lactação altera o metabolismo da mulher no pós-parto, ajuda a mobilizar a gordura acumulada na gestação e melhora a forma como o organismo processa açúcar e colesterol.
"Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias", afirma Alexandra Oliveira de Mesquita, vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC.
O endotélio é a camada que reveste os vasos por dentro. Quando funciona bem, regula a pressão arterial e dificulta a formação de placas de gordura nas artérias. É esse mecanismo que, segundo a SBC, sustenta a redução observada nos estudos.
Os benefícios listados pela entidade para a mãe incluem ainda:
- redução da pressão arterial no pós-parto
- melhora do perfil de colesterol e triglicerídeos
- melhor controle da glicemia e menor risco de diabetes tipo 2
- retorno mais rápido ao peso anterior à gestação
- menor risco de câncer de mama e de ovário
O que isso muda no acompanhamento da mulher
A leitura prática é que o histórico de amamentação passa a ser informação útil na consulta de cardiologia, ao lado de pressão, colesterol e histórico familiar. Complicações da gestação, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, também funcionam como sinal de alerta precoce para risco cardiovascular décadas depois.
Isso não transforma a amamentação em tratamento. Ela reduz risco em termos estatísticos, o que é diferente de prevenir doença em cada caso individual. Mulheres com pressão alta, diabetes, obesidade, tabagismo ou histórico familiar seguem precisando de acompanhamento clínico, com ou sem histórico de aleitamento.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde permanece a mesma: leite materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos ou mais. E há situações em que a amamentação não é possível ou não é indicada, o que exige orientação individual do pré-natal e da equipe que acompanha o parto.
Onde buscar apoio no Distrito Federal
A dificuldade na pega, a dor e a percepção de leite insuficiente estão entre os principais motivos de desmame precoce, e a maioria tem solução com orientação profissional. Nas unidades básicas de saúde do DF, o apoio à amamentação faz parte da rotina de puericultura, e as maternidades públicas contam com bancos de leite humano.
A Semana Mundial da Amamentação, na primeira semana de agosto, costuma concentrar ações de orientação em unidades de saúde e hospitais. Elas seguem ao longo do mês, dentro da campanha do Agosto Dourado, cuja cor faz referência ao padrão-ouro de qualidade atribuído ao leite materno.
Quem produz leite acima da própria necessidade pode ajudar a alimentar prematuros internados. O SouBrasília explicou como funciona a doação e quem pode se cadastrar em Agosto Dourado: como doar leite materno no DF.
As informações desta reportagem foram divulgadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e reproduzidas pela Agência Brasil em 2 de agosto de 2026. Elas não substituem consulta médica.
Perguntas frequentes
Amamentar reduz o risco de doença no coração?
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a mulher que amamenta tem cerca de 11% menos chance de desenvolver doença cardiovascular do que a que não amamenta. Trata-se de redução de risco populacional, não de garantia individual.
Quanto tempo de amamentação está associado a maior proteção?
Os estudos citados pela SBC trabalham com períodos em torno de 18 meses somados, com redução de 12% no risco de AVC e de 14% no risco de infarto.
Qual é a principal causa de morte de mulheres no Brasil?
As doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de um terço da mortalidade feminina. Elas matam sete vezes mais que o câncer de mama.
O que é o Agosto Dourado?
É a campanha de incentivo ao aleitamento materno realizada em agosto. A cor faz referência ao padrão-ouro de qualidade atribuído ao leite materno. A Semana Mundial da Amamentação ocorre na primeira semana do mês.
Por quanto tempo o Ministério da Saúde recomenda amamentar?
Leite materno exclusivo até os 6 meses e complementado com outros alimentos até os 2 anos ou mais, mesma recomendação da Organização Mundial da Saúde.








