Fraude do INSS: PF indicia donos de igrejas do DF por desvio milionário

julho 17, 2026
Mãos de pessoa idosa apoiadas sobre bengala de madeira, em closeup

A Polícia Federal indiciou Dogival José dos Santos e Lucineide dos Santos Oliveira, donos de igrejas em Ceilândia e no Recanto das Emas, na conclusão do primeiro inquérito sobre os descontos ilegais em aposentadorias do INSS, encerrado em 14 de julho.

Os dois estão entre os 48 indiciados pela PF no esquema que descontava mensalidades associativas de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem autorização válida. Só nesse primeiro inquérito, a corporação aponta desvio de R$ 708 milhões; o prejuízo total estimado aos beneficiários chega a R$ 6 bilhões.

O casal responde por corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O papel das entidades no esquema

Dogival fundou a Crusada Nacional de Evangelismo, registrada em 1996, e preside a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma das entidades usadas para os descontos ilegais. Lucineide preside a Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, no Recanto das Emas, e atua como tesoureira da AAB.

Segundo a investigação, as associações de fachada serviam para acessar dados de segurados e transformar descontos mensais em receita do grupo, com repasses a empresas ligadas aos investigados.

Reportagem do Metrópoles aponta que Lucineide recebeu R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025, incluindo R$ 113 milhões repassados diretamente pela Conafer, confederação que também aparece no centro do escândalo. Intimados pela PF, os dois preferiram permanecer em silêncio.

Corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas, organização criminosa e lavagem de dinheiro: esses são os quatro crimes imputados pela PF ao casal no relatório do inquérito.

Quem mais foi indiciado

A lista de 48 indiciados alcança nomes já conhecidos da investigação:

  • Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como lobista do esquema
  • José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS e ex-diretor de Benefícios do órgão
  • Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer
  • Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, procurador do INSS
  • Euclydes Pettersen, ex-deputado federal

A CPMI do INSS, que funciona no Congresso, também pediu o indiciamento do casal do DF em seu relatório, reforçando o material reunido pela PF.

O caso tem capítulo antigo no DF: como o SouBrasília mostrou, Lucineide transferiu R$ 5,9 milhões a um banco investigado por ligação com o PCC, segundo dados levantados pela CPMI.

O que muda para o aposentado

O indiciamento encerra a fase policial do primeiro inquérito. Agora o relatório vai ao Ministério Público Federal, que decide se denuncia os 48 à Justiça. Só depois de eventual condenação definitiva os indiciados podem ser considerados culpados.

Para quem teve desconto indevido no benefício, o caminho da devolução já está aberto e não depende do processo criminal. O governo mantém acordo de ressarcimento com adesão pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135. Veja como aderir ao acordo e receber a devolução.

Perguntas frequentes

Quem são os indiciados do DF?

Dogival José dos Santos, fundador da Crusada Nacional de Evangelismo e presidente da AAB, e Lucineide dos Santos Oliveira, presidente da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, no Recanto das Emas, e tesoureira da AAB.

Indiciamento significa condenação?

Não. O indiciamento é a conclusão da PF de que há indícios de crime. Cabe ao Ministério Público Federal denunciar e à Justiça julgar. Todos são considerados inocentes até decisão definitiva.

Quem teve desconto indevido consegue o dinheiro de volta?

Sim. A adesão ao acordo de devolução é feita pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135, sem custo e sem precisar de advogado.

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