O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, negou na quinta-feira (16), em coletiva de imprensa, que tenha havido negligência nas mortes de duas gestantes no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e detalhou o andamento das apurações abertas pelo governo.
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu no dia 10 de julho, com 41 semanas de gestação. Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu três dias depois, em 13 de julho, com 38 semanas. Os dois casos ocorreram no mesmo hospital e provocaram reação imediata do Buriti.
Segundo o secretário, as mortes decorreram de complicações clínicas graves. No primeiro caso, após o início da cesariana, a paciente apresentou atonia uterina, quando o útero não se contrai depois da retirada do bebê, seguida de hemorragia intensa. A equipe realizou manobras e uma histerectomia, mas o sangramento se agravou e a paciente não resistiu.
No segundo caso, o parto teve progressão considerada normal. “Essa paciente, o parto teve progressão, a criança nasceu bem”, relatou o secretário. No pós-parto, porém, a paciente apresentou sangramento nasal e os exames laboratoriais apontaram distúrbio de coagulação de difícil reversão.
“Eu quero dizer que essa paciente, em momento algum, foi negligenciada”, afirmou Juracy Lacerda Júnior sobre o atendimento a Maria Graciana, ao explicar que a cesariana não foi indicada antes porque “o procedimento poderia agravar o quadro clínico da paciente”.
Quem apura cada caso
As mortes no HRSam são alvo de três frentes simultâneas:
- PCDF: investiga as duas mortes de gestantes;
- Ministério da Saúde: acompanha os casos;
- Secretaria de Saúde: conduz apuração interna sobre os atendimentos.
A governadora Celina Leão determinou apuração rigorosa e mandou disponibilizar as imagens do monitoramento do hospital aos familiares e aos investigadores. “Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, declarou. Segundo o portal Política Distrital, a governadora também anunciou mudanças nos protocolos de atendimento do pré-natal na rede pública após os óbitos.
UPA do Recanto das Emas: PCDF mantém apuração
Também segue em aberto o caso de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, que morreu enquanto aguardava atendimento na UPA do Recanto das Emas. O laudo apontou morte súbita cardíaca por tamponamento, provocado por dissecção aguda da aorta ascendente, em paciente com valvopatia e hipertensão.
O caso teve idas e vindas na comunicação oficial. No dia 14, a corporação informou que não abriria inquérito porque a morte foi classificada como natural, o que gerou a notícia de arquivamento. Na quinta-feira (16), a PCDF esclareceu que a apuração continua na 27ª Delegacia, no próprio Recanto das Emas, e que a ocorrência segue registrada como localização ou remoção de cadáver. O ponto em análise é se houve omissão no socorro prestado ao paciente durante a espera pelo atendimento.
O IgesDF, instituto que administra a unidade, informou que a apuração interna sobre o atendimento está em fase final, segundo declaração do presidente do órgão ao Correio Braziliense.
A sequência de ocorrências na rede pública inclui ainda a morte de um paciente na entrada do Hospital de Base, caso em que o GDF também determinou apuração rígida.
Próximos passos
As conclusões da PCDF sobre o HRSam e a UPA do Recanto das Emas não têm prazo divulgado. A apuração interna do IgesDF sobre a UPA deve ser finalizada primeiro, por estar em fase final. O SouBrasília atualiza os casos quando os resultados forem publicados ou houver novo posicionamento oficial da Secretaria de Saúde.








