O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 4 e 5 de agosto, em Brasília, para definir o novo patamar da taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano. Será a primeira decisão de juros do segundo semestre.
O anúncio da 280ª reunião sai na quarta-feira (5), após o fechamento dos mercados. Em junho, o comitê cortou a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano, movimento de 0,25 ponto percentual que confirmou o ritmo gradual de queda dos juros.
O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, aponta a Selic em 14% ao ano no fim de 2026. Na prática, o mercado enxerga espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, distribuído entre as quatro reuniões que restam no calendário.
O que mostra o boletim Focus
A edição divulgada em 13 de julho trouxe os seguintes números para o fechamento de 2026:
- Selic: 14% ao ano, projeção mantida pela terceira semana seguida;
- Inflação (IPCA): 5,16%, abaixo dos 5,30% da semana anterior, na segunda queda semanal consecutiva;
- PIB: crescimento de 1,99%;
- Dólar: R$ 5,20.
Mesmo em queda, a projeção de inflação segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. É esse estouro projetado que mantém o comitê em modo de cautela, como detalha a última leitura do Focus.
A inflação corrente ajuda o Banco Central. O IPCA de junho subiu 0,16% e desacelerou o acumulado de 12 meses para 4,64%, puxado pela primeira queda dos preços dos alimentos registrada pelo IBGE desde novembro de 2025.
Com a Selic em 14,25% ao ano e o Focus projetando 14% para dezembro, o mercado precifica um segundo semestre de cortes lentos, condicionados ao comportamento da inflação.
Efeito no bolso do brasiliense
Juro básico alto encarece qualquer dívida atrelada ao crédito: financiamento imobiliário, empréstimo pessoal, cartão e cheque especial. Quem pretende financiar imóvel ou carro em Brasília ainda vai encontrar parcelas pressionadas, cenário que o site já detalhou ao explicar o que a Selic a 14,25% significa para o consumidor.
Na outra ponta, a renda fixa continua atrativa. Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI rendem perto da taxa básica. A poupança, por regra, paga 0,5% ao mês mais TR sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, e perde dos investimentos atrelados ao CDI.
Uma semana antes da reunião, no dia 28 de julho, o Conselho Nacional de Previdência Social também decide sobre o corte no teto de juros do consignado do INSS, outra conta diretamente ligada ao patamar da Selic.
Calendário do Copom até o fim de 2026
- 4 e 5 de agosto (280ª reunião);
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.
A decisão de agosto será divulgada na noite de quarta-feira (5), com o comunicado oficial do comitê. A ata completa, que detalha o diagnóstico dos nove integrantes do colegiado, sai na terça-feira seguinte. Até lá, cada divulgação de inflação e as próximas edições do Focus vão calibrar a aposta entre corte e pausa.








