Selic cai para 14,25% e barateia crédito no país

junho 18, 2026
Selic cai para 14,25% e barateia crédito no país

O Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano na reunião encerrada em 17 de junho, num corte de 0,25 ponto percentual que tende a baixar o custo do crédito para empresas e famílias. A decisão repete o movimento de abril, quando o comitê já havia promovido outro corte de 0,25 ponto.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como referência para praticamente todas as demais taxas praticadas por bancos e financeiras. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, que se reúne periodicamente para avaliar o cenário e calibrar o nível dos juros de acordo com o comportamento da inflação e da atividade econômica.

Quando a Selic recua, os empréstimos, os financiamentos e o uso do cartão de crédito ficam, em tese, mais baratos ao longo das próximas semanas. O mecanismo é simples: como o dinheiro custa menos para os bancos captarem, sobra espaço para que parte dessa economia seja repassada ao cliente final em forma de juros menores.

O repasse, no entanto, não é imediato nem automático. Os bancos costumam ajustar suas taxas aos poucos, e o efeito sobre o consumidor depende do tipo de operação, do perfil de risco do cliente e da concorrência entre as instituições. Quem tem dívidas pós-fixadas atreladas à Selic sente a mudança mais rápido, já que essas operações acompanham o índice em tempo praticamente real.

O que muda no seu bolso

No outro lado da balança está a poupança. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, regra que continua valendo após o corte. O rendimento da poupança, portanto, segue o mesmo patamar e perde atratividade frente a aplicações que acompanham os juros básicos da economia.

Para quem pensa em financiar um carro ou um imóvel, a queda abre espaço para condições um pouco melhores, mas a recomendação é comparar propostas de diferentes bancos antes de assinar qualquer contrato. Pequenas diferenças de taxa fazem grande diferença no valor final de financiamentos longos, em que os juros incidem por muitos anos sobre o saldo devedor.

Quem tem dinheiro guardado precisa avaliar o ponto em que a poupança deixa de ser a melhor opção. Aplicações de renda fixa indexadas à Selic ou ao CDI tendem a render mais, ainda que parte delas tenha incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, conforme o prazo da aplicação.

Veja os principais efeitos do corte:

  • Crédito e financiamentos com tendência de queda gradual nas taxas;
  • Cartão de crédito e cheque especial podem ficar menos onerosos;
  • Poupança mantém rendimento de 0,5% ao mês mais TR;
  • Renda fixa atrelada à Selic acompanha o novo patamar de 14,25%;
  • Dívidas pós-fixadas sentem a redução mais rapidamente.

Antes de tomar decisões, vale entender que a Selic também influencia o ambiente de negócios como um todo. Juros mais baixos costumam estimular o consumo e os investimentos das empresas, o que pode se refletir em mais oferta de produtos e, com o tempo, em condições comerciais melhores para o consumidor.

O próximo passo de quem quer aproveitar o cenário é revisar contratos ativos e simular renegociações com a taxa mais baixa em mente. Um financiamento contratado em período de juros altos pode, em alguns casos, ser portado para outra instituição que ofereça condições melhores, processo chamado de portabilidade de crédito.

Quem usa o cartão de crédito também ganha margem para organizar o orçamento. Mesmo com a tendência de queda, o crédito rotativo segue entre as linhas mais caras do mercado, e evitar o parcelamento da fatura continua sendo a forma mais eficiente de não pagar juros elevados.

Para entender outros temas que afetam o orçamento doméstico, acompanhe a editoria de economia do SouBrasília, que segue o calendário das próximas reuniões do Copom e os efeitos de cada decisão sobre o dia a dia das famílias.