Organizações indígenas cobram demarcações e proteção no Dia dos Povos Indígenas

abril 19, 2026
Organizações indígenas cobram demarcações e proteção no Dia dos Povos Indígenas

Organizações indígenas usaram o Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo (19), para cobrar do governo federal a aceleração das demarcações e reforço da proteção das terras tradicionais. O Brasil tem 391 povos indígenas, que se reuniram no Acampamento Terra Livre (ATL) no início de abril, em Brasília.

“Seguimos resistindo porque nossos territórios continuam sob ataque e nossos corpos continuam sendo alvo”, afirmou a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em comunicado. A organização repetiu a consigna: “sem demarcação não há vida, não há cultura, não há futuro” e pediu o fim do garimpo ilegal, das invasões e dos feminicídios em áreas indígenas.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) ligou a crise dos territórios à crise ambiental. “Os territórios indígenas estão sob ataque permanente, com o garimpo ilegal”, afirmou a entidade, ao relacionar os impactos sobre o equilíbrio da floresta às secas, incêndios e degradação ambiental da região.

A Anistia Internacional lembrou que povos indígenas protegem cerca de 80% da biodiversidade global, segundo dados da ONU, e vê a demarcação como reparação histórica e garantia de futuro. Já a Funai, em balanço oficial, diz avançar em processos demarcatórios e no apoio à autonomia dos povos. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o país tem cerca de 1,7 milhão de indígenas, e 63,25% vivem fora de terras homologadas.