Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitaram nesta terça-feira (14) o parecer do senador Alessandro Vieira, que solicitava o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal. A votação foi de seis votos contra e quatro a favor. Com a rejeição, a comissão encerrou seus trabalhos sem um documento final aprovado.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, criticou a falta de prorrogação dos trabalhos pela liderança do Senado, afirmando que a população foi prejudicada quanto ao direito constitucional de segurança pública. Contarato também apontou obstáculos impostos pelo STF na coleta de depoimentos e provas, mas votou contra as recomendações de indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, bem como do procurador-geral Paulo Gonet.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, argumentou que comissões parlamentares não devem ser palcos de disputas políticas, e votou contra as recomendações de indiciamento. Durante os trabalhos, a CPI mapeou 90 organizações criminosas, incluindo Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Primeiro Comando da Capital, atuando em 24 estados.
O relatório de 220 páginas produzido pelos trabalhos identificou que aproximadamente 26% do território nacional estaria sob influência do crime organizado, afetando 28,5 milhões de brasileiros. Entre os resultados positivos mapeados, o documento cita operações que apreenderam mais de R$ 4 bilhões e prisões internacionais de 842 foragidos entre 2021 e 2025.








