Delegado responsável pelas apurações afirmou que as gravações não estão mais disponíveis porque as denúncias chegaram depois do prazo de armazenamento; investigação seguirá por prontuários, exames e depoimentos; total de mortes investigadas sobe para 13
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu seis novos inquéritos para apurar mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Mas as investigações enfrentarão de saída um obstáculo significativo: as imagens das câmeras de segurança da unidade já não existem mais.
O delegado-chefe da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), Raphael Seixas, explicou que, como os casos aconteceram no passado e as denúncias chegaram depois, o prazo de armazenamento das gravações já havia expirado quando a polícia foi acionada. “Como os casos aconteceram no passado e as denúncias foram posteriores, já não havia mais essas imagens nas câmeras de segurança, então não vamos trabalhar nessa linha”, afirmou.
Investigação seguirá por outros caminhos
A ausência das imagens complica, mas não paralisa o trabalho. Seixas foi categórico ao afirmar que outros elementos serão analisados com o mesmo rigor. “A gente vai analisar o que foi prescrito para as vítimas, as amostras de sangue, o acesso à farmácia. As imagens seriam boas, de fato, mas não seriam o único elemento”, explicou.
Os novos inquéritos terão como base os depoimentos de familiares das vítimas, médicos e enfermeiros que atuaram no período, além dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e dos prontuários hospitalares, que serão cruzados com as escalas de trabalho dos três técnicos de enfermagem investigados.
Nove denúncias, seis casos válidos
Das nove mortes denunciadas à polícia — sete por familiares e duas de forma anônima — três foram descartadas após a verificação de que nenhum dos técnicos suspeitos estava de plantão quando os óbitos ocorreram. Os seis casos restantes apresentam, segundo a PCDF, indícios semelhantes aos das três mortes já confirmadas anteriormente.
Todas as vítimas dos novos inquéritos tinham entre 73 e 83 anos e morreram de parada cardiorrespiratória repentina — o que levantou a suspeita das famílias e motivou os registros de ocorrência. “Todas as mortes que não foram naturais e ocorreram no período em que os técnicos estavam trabalhando serão investigadas”, afirmou o delegado.
Com os seis novos casos, o total de mortes sob investigação no Hospital Anchieta chega a 13.
Relembre o caso
O escândalo veio a público em dezembro de 2025, quando a PCDF confirmou a prisão de três técnicos de enfermagem suspeitos de assassinar ao menos três pacientes da UTI do Anchieta. As investigações haviam começado em janeiro do mesmo ano, com a deflagração da Operação Anúbis, mas o conteúdo foi revelado apenas meses depois.
O próprio hospital havia notado irregularidades nos óbitos e foi o responsável por acionar as autoridades. As imagens das câmeras de segurança — que ainda existiam naquele momento — mostraram Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, injetando substâncias letais nos pacientes, enquanto Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, forneciam cobertura para as ações.
Segundo as investigações, os técnicos aumentavam as doses dos medicamentos em até dez vezes, tornando-os tóxicos. Em ao menos um caso, chegaram a administrar desinfetante em uma das vítimas. As três mortes confirmadas foram de João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
A motivação para os crimes ainda não foi esclarecida. Os três acusados seguem presos preventivamente enquanto aguardam julgamento.








