Petição contra presidência de Erika Hilton na Comissão da Mulher ultrapassa 120 mil assinaturas

março 16, 2026

Petição contra presidência de Erika Hilton na Comissão da Mulher ultrapassa 120 mil assinaturas

Mobilização online pede que a Câmara dos Deputados reconsidere a escolha da deputada trans para comandar o colegiado. Eleição gerou reações de parlamentares de diferentes partidos.

Uma petição virtual contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados já ultrapassou a marca de 120 mil adesões. O abaixo-assinado foi criado na plataforma Change.org no dia 11 de março de 2026 — mesma data em que Hilton foi eleita para o cargo.

O que pede a petição

A mobilização foi criada pela pré-candidata a deputada federal Sophia Barclay e se apresenta como uma manifestação democrática de cidadãos que desejam abrir o debate sobre os critérios de representatividade na presidência da comissão. O texto solicita que a Câmara considere, com atenção, a identificação com as mulheres brasileiras ao definir quem deve ocupar a liderança do colegiado.

Como foi a eleição de Erika Hilton

Na sessão da última quarta-feira (11/3), Erika Hilton recebeu 11 votos e se tornou a primeira parlamentar trans a presidir a Comissão da Mulher na história do Congresso Nacional. A vice-presidência ficou com a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). Na mesma votação, 10 congressistas optaram pelo voto em branco.

Reações de deputadas contra a escolha

Diversas parlamentares se manifestaram publicamente contra a eleição. A deputada Greyce Elias (Avante-MG), titular da comissão, afirmou que a questão não envolve exclusão de pessoas, mas sim a defesa de um espaço criado para enfrentar problemas que afetam diretamente mulheres, como violência doméstica, feminicídio, desigualdade salarial e proteção à maternidade.

A deputada Rosângela Moro (União Brasil-PR) argumentou que muitas das pautas tratadas na comissão dizem respeito a questões biológicas femininas, como gestação, violência obstétrica e endometriose, e que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero.

Já a deputada Delegada Ione (Avante-MG) questionou a legitimidade de Hilton para presidir debates sobre experiências como a maternidade e o ciclo menstrual. A deputada estadual Mara Lima (Republicanos-PR) seguiu na mesma linha, afirmando que a liderança do colegiado exige vivência direta dessas realidades.

A deputada Clarissa Tercio (PP-PE) defendeu a ocupação dos espaços por mulheres biológicas, enquanto a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) fez um protesto silencioso em vídeo nas redes sociais, alegando orientação de seu advogado.

Debate segue com desdobramentos no Congresso

O caso continua repercutindo no cenário político nacional e amplia a discussão sobre os limites da representatividade de gênero nas instâncias legislativas. Outros partidos já protocolaram pedidos de cassação e representações contra Hilton, indicando que o tema deve permanecer em pauta nas próximas semanas.