Guerra no Irã faz preço da gasolina e do diesel disparar no DF; especialistas alertam para inflação

março 12, 2026

Dez dias após o início do conflito no Oriente Médio, distribuidoras já repassaram reajustes de até R$ 0,48 por litro de diesel aos postos do Distrito Federal, sem justificativa oficial

Pouco mais de dez dias após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, os efeitos da guerra no Oriente Médio já chegaram ao bolso de quem abastece no Distrito Federal. As distribuidoras de combustíveis que atendem os postos da capital aumentaram seus preços sem qualquer anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras.

O presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, confirmou os repasses na última terça-feira (10/3): o diesel subiu entre R$ 0,45 e R$ 0,48 por litro, e a gasolina entre R$ 0,10 e R$ 0,17. Com isso, o preço médio da gasolina nas bombas do DF chegou a R$ 6,42 acima da média nacional de R$ 6,30.

Para Tavares, a justificativa está no mercado internacional. Apesar de a Petrobras ser autossuficiente na extração de petróleo, o Brasil depende de importação no processo de refino especialmente no caso do diesel. Com o barril de petróleo reagindo à instabilidade geopolítica, as distribuidoras que precisam repor estoques passam a pagar mais caro e repassam a diferença aos postos.

Diesel como gatilho da inflação

O professor de economia da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Riezo Almeida, explica que o conflito encarece tanto o frete marítimo quanto o seguro das cargas importadas. Para ele, o aumento no diesel é um sinal de alerta para a inflação de transportes e serviços nas próximas semanas.

“As distribuidoras operam com estoques, e o reajuste anunciado já reflete a reposição desses estoques sob o novo patamar de preços internacionais”, avaliou. A recomendação do especialista é acompanhar os desdobramentos nos próximos dias.

Suspeita de especulação e investigação em andamento

Tavares afirmou ter enviado solicitação formal às distribuidoras pedindo esclarecimentos sobre os reajustes, mas não recebeu resposta. Ele reconhece que, com a importação mais cara, algum repasse é inevitável mas ressalta que cabe aos órgãos reguladores verificar se os valores não são abusivos.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) já entrou em campo: encaminhou ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo investigação sobre possíveis práticas anticoncorrenciais, incluindo a suspeita de combinação de preços entre distribuidoras o chamado cartel.

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo, reforça a necessidade de fiscalização pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelos órgãos de defesa do consumidor. “Esse repasse pode ter um caráter apenas especulativo”, alertou.

Outros setores em risco: frete, energia e agronegócio

Bergo aponta que o impacto da guerra pode ir muito além dos combustíveis. Por Brasília estar distante dos centros de produção, o encarecimento do querosene de aviação também deve pressionar o frete de produtos para o DF.

No setor energético, o aumento do diesel afeta diretamente as termelétricas, que dependem do insumo para funcionar. A médio e longo prazo, isso pode elevar a conta de energia.

O ponto mais preocupante levantado pelo especialista, porém, é o agronegócio. O Irã figura entre os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil, e uma guerra prolongada pode comprometer o abastecimento e encarecer a produção agrícola nacional.

A Fecomércio-DF informou que está monitorando os impactos do conflito na economia local e busca medidas para amenizar os efeitos sobre o comércio enquanto a situação não se normalizar.