Dissídio da greve dos Correios vai a julgamento no TST na segunda

setembro 18, 2026
Armario de autoatendimento dos Correios para retirada de encomendas em agencia

O julgamento do dissídio coletivo da greve dos Correios foi marcado para as 13h30 desta segunda-feira (21), no Tribunal Superior do Trabalho. A paralisação, que já passou de uma semana, tem adesão parcial de empregados em todo o país.

O dissídio é o instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho decide as cláusulas do acordo coletivo quando empresa e sindicatos não chegam a um consenso. Na prática, o que o TST definir na segunda vale para toda a categoria, inclusive para os pontos que os trabalhadores rejeitaram na mesa de negociação.

O impasse é o plano de saúde

O principal ponto de conflito não é o salário. Os trabalhadores contestam a intenção da estatal de deixar de ser mantenedora e passar a patrocinadora do CorreiosSaúde. Para a categoria, a mudança abre caminho para aumento de custos e mensalidades cobrados de funcionários, aposentados e dependentes.

A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, a Findect, criticou a condução da empresa durante a paralisação.

“Em meio a uma greve e com o acordo coletivo sem solução, a empresa dedica espaço a novos uniformes, tamanhos, tecidos e procedimentos de entrega, enquanto a questão que mais preocupa os trabalhadores permanece sem resposta: a garantia do plano de saúde”, afirmou a federação em nota.

Reajuste de 0,87% foi recusado

Os sindicatos rejeitaram a proposta inicial da direção da empresa, de reajuste de 0,87%. A categoria pede recomposição compatível com a inflação acumulada mais ganho real e aponta que a oferta ficou bem abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC.

Além do reajuste, estão na pauta de reivindicações:

  • retorno do adicional de 70% sobre as férias;
  • retomada do pagamento de 200% sobre repouso ou feriado trabalhado;
  • manutenção das gratificações que a empresa quer extinguir, como a de motoristas, a de quebra de caixa e o vale extra de Natal.

TST já obrigou a manter 80% do efetivo

Ao julgar a legalidade da greve, o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade. O presidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho, levou em conta a essencialidade do serviço postal e o impacto no período eleitoral de 2026, quando os Correios têm papel logístico na distribuição de material da Justiça Eleitoral.

A greve chega no pior momento financeiro da estatal

A paralisação começou em 10 de setembro, por tempo indeterminado, e se soma a um ano de reestruturação dura na empresa. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior da história da estatal.

Em agosto, a direção abriu um plano de demissão voluntária para até 7 mil empregados e anunciou o fechamento de cerca de mil agências. É nesse contexto de corte que a empresa apresenta o reajuste de 0,87% e propõe mudar a natureza do seu papel no plano de saúde.

O que fazer com a encomenda parada

Os Correios afirmam que mantêm os serviços em funcionamento e que adotaram medidas de contingência para reduzir os efeitos da paralisação.

“Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico”, informou a empresa em nota.

A orientação ao cliente é acompanhar o rastreamento pelo site ou pelo aplicativo e aguardar a entrega no endereço de destino. Para casos específicos, o atendimento é feito pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210, pelo chat e pelo Fale Conosco no portal da empresa. Os prazos e os efeitos práticos da paralisação sobre carta e encomenda estão detalhados em greve dos Correios: o que acontece com a sua entrega.

Se o TST acolher o dissídio na segunda, a decisão encerra a negociação e fixa as condições do acordo. Até lá, a greve segue com o efetivo mínimo determinado pelo tribunal.

Perguntas frequentes

Quando é o julgamento do dissídio dos Correios?

Na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, às 13h30, no Tribunal Superior do Trabalho.

Por que os funcionários entraram em greve?

O principal impasse é a mudança do plano de saúde, com a empresa deixando de ser mantenedora para virar patrocinadora do CorreiosSaúde. Também pesam a recusa do reajuste de 0,87% e o fim de gratificações.

Minha encomenda vai atrasar?

O TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade, e os Correios afirmam manter os serviços com medidas de contingência. A empresa orienta acompanhar o rastreamento pelo site ou aplicativo.

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