Os dez candidatos ao Governo do Distrito Federal defendem alguma forma de tarifa zero no transporte público, mas divergem sobre prazo, alcance e como pagar a conta. O levantamento com as propostas foi publicado nesta quarta-feira (16) pelo Metrópoles, que ouviu as campanhas e, no caso de quem não respondeu, recorreu ao plano de governo registrado na Justiça Eleitoral.
A eleição é em 4 de outubro. O tema pesa no bolso de quem depende de ônibus e metrô todos os dias no DF, onde o sistema já opera com gratuidade em datas específicas e para grupos determinados.
O que já vale hoje no DF
O governo mantém o programa Vai de Graça, que zera a tarifa de ônibus e metrô aos domingos e feriados. A gratuidade dominical segue valendo e é citada pela atual gestão como demonstração do efeito da tarifa zero sobre a demanda.
Há ainda o passe livre estudantil e, desde julho, a Tarifa Zero Estudantil aprovada pela Câmara Legislativa, que ampliou o transporte gratuito para alunos. Idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência já têm gratuidade assegurada por lei.
O que cada candidato propõe
As posições, na ordem em que aparecem no levantamento:
- Celina Leão (PP) defende implementação gradual, começando pelos inscritos no CadÚnico. “Sou favorável e estamos trabalhando para construir um modelo que seja tecnicamente viável”, afirmou.
- José Roberto Arruda (PSD) condiciona a gratuidade à oferta. Quer auditoria nas empresas de ônibus, redução de subsídios e novas linhas de metrô: “Não adianta dar ônibus de graça sábado e domingo, mas não ter ônibus”.
- Leandro Grass (PT) propõe tarifa zero progressiva e sustentável, acompanhada de ampliação da rede. “De nada adianta o ônibus ser de graça se ele não passa na sua rua”, disse.
- Paula Belmonte (PSDB) quer tarifa zero diária, com auditoria e melhoria da qualidade. “Transporte público de qualidade é um direito e tarifa zero precisa significar liberdade”, declarou.
- Ricardo Cappelli (PSB) associa a gratuidade à troca da frota por ônibus elétricos: “Tarifa zero é menos subsídio. É um horizonte, mas é trocando a frota”.
- Kiko Caputo (Novo) defende implementar a tarifa zero com combate à corrupção e fiscalização. “Dinheiro público precisa voltar para a população na forma de serviços”, afirmou.
- Professor Robson (PSTU) propõe tarifa zero com estatização do sistema. “A tarifa zero coloca dinheiro no bolso do trabalhador para comprar comida”, disse.
- Samara Mineiro (UP) defende passe livre universal e reestruturação da TCB, a empresa pública de transporte do DF. “O transporte deve ser tratado como direito fundamental constitucional”, afirmou.
- Elisson Ferreira (Agir) promete redução imediata de R$ 1 na passagem, com cortes graduais depois. “Quero isso com ônibus e trens suficientes, novos, com frequência, conforto”, declarou.
- Expedito Mendonça (PCO) propõe passe livre para desempregados e trabalhadores informais. A proposta consta do plano de governo; ele não respondeu à reportagem.
Onde está a divergência real
Ainda que nenhum candidato rejeite a ideia, o desenho proposto muda bastante de um plano para outro. Há três linhas de corte visíveis nas respostas.
A primeira é quem entra primeiro: parte das propostas começa por público específico, como inscritos no CadÚnico, desempregados e trabalhadores informais; outra parte fala em gratuidade universal desde o início. A segunda é o modelo de financiamento, que passa por auditoria e corte de subsídio às empresas, por troca de frota, ou por estatização do sistema. A terceira é a ordem dos fatores: expandir a rede antes de zerar a tarifa, ou zerar a tarifa e ampliar a oferta em paralelo.
Como conferir a proposta antes de votar
Os planos de governo de todos os candidatos ficam disponíveis no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral. A consulta é gratuita, por estado e por cargo, e mostra o documento registrado no pedido de candidatura, além de bens declarados e prestação de contas parcial da campanha.
Vale comparar o que está escrito no plano com o que a campanha diz em entrevista. O documento registrado é o compromisso formal apresentado à Justiça Eleitoral; declarações podem mudar ao longo do período eleitoral, que se encerra com a votação de 4 de outubro.








