Tarifa zero no DF: o que propõem os dez candidatos ao GDF

setembro 16, 2026
Passageiros embarcam em ônibus na plataforma da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília

Os dez candidatos ao Governo do Distrito Federal defendem alguma forma de tarifa zero no transporte público, mas divergem sobre prazo, alcance e como pagar a conta. O levantamento com as propostas foi publicado nesta quarta-feira (16) pelo Metrópoles, que ouviu as campanhas e, no caso de quem não respondeu, recorreu ao plano de governo registrado na Justiça Eleitoral.

A eleição é em 4 de outubro. O tema pesa no bolso de quem depende de ônibus e metrô todos os dias no DF, onde o sistema já opera com gratuidade em datas específicas e para grupos determinados.

O que já vale hoje no DF

O governo mantém o programa Vai de Graça, que zera a tarifa de ônibus e metrô aos domingos e feriados. A gratuidade dominical segue valendo e é citada pela atual gestão como demonstração do efeito da tarifa zero sobre a demanda.

Há ainda o passe livre estudantil e, desde julho, a Tarifa Zero Estudantil aprovada pela Câmara Legislativa, que ampliou o transporte gratuito para alunos. Idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência já têm gratuidade assegurada por lei.

O que cada candidato propõe

As posições, na ordem em que aparecem no levantamento:

  • Celina Leão (PP) defende implementação gradual, começando pelos inscritos no CadÚnico. “Sou favorável e estamos trabalhando para construir um modelo que seja tecnicamente viável”, afirmou.
  • José Roberto Arruda (PSD) condiciona a gratuidade à oferta. Quer auditoria nas empresas de ônibus, redução de subsídios e novas linhas de metrô: “Não adianta dar ônibus de graça sábado e domingo, mas não ter ônibus”.
  • Leandro Grass (PT) propõe tarifa zero progressiva e sustentável, acompanhada de ampliação da rede. “De nada adianta o ônibus ser de graça se ele não passa na sua rua”, disse.
  • Paula Belmonte (PSDB) quer tarifa zero diária, com auditoria e melhoria da qualidade. “Transporte público de qualidade é um direito e tarifa zero precisa significar liberdade”, declarou.
  • Ricardo Cappelli (PSB) associa a gratuidade à troca da frota por ônibus elétricos: “Tarifa zero é menos subsídio. É um horizonte, mas é trocando a frota”.
  • Kiko Caputo (Novo) defende implementar a tarifa zero com combate à corrupção e fiscalização. “Dinheiro público precisa voltar para a população na forma de serviços”, afirmou.
  • Professor Robson (PSTU) propõe tarifa zero com estatização do sistema. “A tarifa zero coloca dinheiro no bolso do trabalhador para comprar comida”, disse.
  • Samara Mineiro (UP) defende passe livre universal e reestruturação da TCB, a empresa pública de transporte do DF. “O transporte deve ser tratado como direito fundamental constitucional”, afirmou.
  • Elisson Ferreira (Agir) promete redução imediata de R$ 1 na passagem, com cortes graduais depois. “Quero isso com ônibus e trens suficientes, novos, com frequência, conforto”, declarou.
  • Expedito Mendonça (PCO) propõe passe livre para desempregados e trabalhadores informais. A proposta consta do plano de governo; ele não respondeu à reportagem.

Onde está a divergência real

Ainda que nenhum candidato rejeite a ideia, o desenho proposto muda bastante de um plano para outro. Há três linhas de corte visíveis nas respostas.

A primeira é quem entra primeiro: parte das propostas começa por público específico, como inscritos no CadÚnico, desempregados e trabalhadores informais; outra parte fala em gratuidade universal desde o início. A segunda é o modelo de financiamento, que passa por auditoria e corte de subsídio às empresas, por troca de frota, ou por estatização do sistema. A terceira é a ordem dos fatores: expandir a rede antes de zerar a tarifa, ou zerar a tarifa e ampliar a oferta em paralelo.

Como conferir a proposta antes de votar

Os planos de governo de todos os candidatos ficam disponíveis no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral. A consulta é gratuita, por estado e por cargo, e mostra o documento registrado no pedido de candidatura, além de bens declarados e prestação de contas parcial da campanha.

Vale comparar o que está escrito no plano com o que a campanha diz em entrevista. O documento registrado é o compromisso formal apresentado à Justiça Eleitoral; declarações podem mudar ao longo do período eleitoral, que se encerra com a votação de 4 de outubro.

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