Salão de beleza não pode aplicar injetável, alerta Vigilância do DF

setembro 15, 2026
Márcia Olivé, diretora da Vigilância Sanitária do DF, em jardim de unidade de saúde

A Vigilância Sanitária do DF alertou nesta terça-feira (15) que salões de beleza não podem realizar procedimentos estéticos invasivos. O aviso vem depois da morte de uma mulher que recebeu um injetável em um salão do Distrito Federal.

Durante a vistoria feita no endereço, auditores constataram que o local funcionava sem licença sanitária, não tinha responsável técnico habilitado e não atendia aos critérios exigidos para o manuseio de agulhas e de substâncias biológicas.

Onde está a confusão que expõe o consumidor

A diretora da Vigilância Sanitária do DF, Márcia Olivé, afirma que existe uma confusão recorrente entre serviços de embelezamento e intervenções de saúde. Pela legislação federal, salões de beleza são enquadrados como atividade de médio risco, no Cnae 9602-5/01. Esse enquadramento permite que funcionem sem vistoria sanitária prévia para atividades tradicionais, como cortes, penteados, escovas, tinturas e manicure.

O limite, porém, para aí.

A dispensa para serviços básicos não autoriza, sob nenhuma hipótese, práticas invasivas. Salões de beleza não têm infraestrutura sanitária nem autorização legal para manusear agulhas, aplicar injetáveis ou ministrar substâncias.

Segundo a diretora, para oferecer qualquer procedimento com rompimento da barreira cutânea o estabelecimento precisa estar formalmente licenciado como serviço de saúde de alto risco. É outra categoria de licença, com outra exigência de estrutura e de responsável técnico.

Como checar a regularidade antes de marcar

Antes de fazer um procedimento estético invasivo, o consumidor deve verificar dois documentos:

  • se a clínica de estética possui Licenciamento Sanitário de Alto Risco e se o documento está exposto em local visível;
  • se o profissional tem habilitação e registro no respectivo conselho de classe.

São duas checagens rápidas, feitas no próprio estabelecimento, e são as que separam uma clínica licenciada de um salão que passou a aplicar injetáveis sem estrutura para isso.

A fiscalização cresceu, e os números mostram o tamanho do problema

As ações de fiscalização no setor de estética foram ampliadas no DF para coibir práticas clandestinas e procedimentos em desacordo com as normas sanitárias. O comparativo entre os dois últimos anos dá a dimensão:

  • 2025: 1.311 vistorias, 155 interdições entre totais e parciais, 957 ampolas de produtos injetáveis irregulares apreendidas e 129 manifestações na ouvidoria;
  • 2026, até o momento: 2.655 vistorias, 125 interdições, 1.524 ampolas irregulares apreendidas e 149 manifestações na ouvidoria.

O número de vistorias dobrou de um ano para o outro, e a apreensão de ampolas irregulares subiu cerca de 59%, mesmo com o ano ainda em curso. O volume de produto injetável circulando fora das regras é o que o dado mais escancara.

Como denunciar

Irregularidades e estabelecimentos suspeitos podem ser denunciados de forma anônima à Ouvidoria-Geral do Distrito Federal pelo telefone 162 ou pela plataforma Participa DF. As denúncias podem resultar em inspeções e em outras medidas de proteção à saúde da população.

Procedimento invasivo feito fora de estrutura adequada também rende disputa judicial. O TJDFT já condenou uma clínica do DF a indenizar uma paciente que sofreu queimadura e precisou de internação após um peeling de ácido: veja como o tribunal avaliou o caso.

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