seg, 2 nov

Pisa: 48% dos alunos brasileiros usam chatbot de IA toda semana

Pisa 2025 da OCDE mostra que 48% dos estudantes brasileiros de 15 anos usam chatbot de IA ao menos uma vez por semana para estudar. A media dos paises e 46%.

Por Denver Moura 3 min de leitura
Mao segura celular com a pagina de busca aberta, ao lado de teclado e mouse sobre a mesa
Neste texto3 tópicos
  1. Para que o estudante brasileiro usa a IA
  2. O celular proibido e a IA liberada
  3. O que muda na pratica para quem tem filho na escola

Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos usa um chatbot de inteligencia artificial pelo menos uma vez por semana para estudar. O dado saiu do Pisa 2025, o exame internacional aplicado pela Organizacao para a Cooperacao e Desenvolvimento Economico (OCDE) e divulgado em 8 de setembro. No Brasil, o porcentual e de 48%, contra 46% na media dos paises avaliados.

Foi a primeira vez que o Pisa mediu o uso de ferramentas de IA na rotina escolar. A edicao ouviu cerca de 760 mil estudantes em 91 paises. No recorte brasileiro, foram cerca de 30 mil alunos de 1.053 escolas, na faixa entre o fim do ensino fundamental e o inicio do ensino medio.

Para que o estudante brasileiro usa a IA

O maior contraste entre o Brasil e a media da OCDE nao esta na frequencia, e sim no tipo de tarefa. Quando o assunto e fazer uma pesquisa rapida sobre um tema novo, o aluno brasileiro recorre a IA muito mais que o aluno medio dos paises avaliados.

  • Pesquisa rapida sobre tema novo: 40% no Brasil, 31% na media da OCDE
  • Resumir textos escolares: 31% no Brasil, 30% na media da OCDE
  • Redigir redacoes completas: 27% no Brasil, 29% na media da OCDE
  • Nunca recorrem a IA: 11% no Brasil, 14% na media da OCDE

A leitura dos numeros e direta: o estudante brasileiro usa a ferramenta principalmente como atalho de consulta, e nao para terceirizar a producao do texto. Na redacao completa, a tarefa em que a IA substitui o trabalho do aluno, o Brasil aparece abaixo da media internacional.

O celular proibido e a IA liberada

O mesmo levantamento apontou que a escola brasileira ja restringe o aparelho, mas nao a ferramenta. Segundo os dados do Pisa reproduzidos pelo Correio Braziliense, 81% dos estudantes brasileiros estao em escolas com algum veto ao uso do celular, contra 49% na media da OCDE.

A regra do celular no Brasil virou lei federal em 2025 e vale para as redes publica e privada da educacao basica, com excecoes para uso pedagogico orientado pelo professor e para estudantes com deficiencia. O uso de chatbot, porem, nao tem norma equivalente: nao ha no pais uma diretriz nacional que diga ao professor o que pode ser feito com IA generativa em sala.

O Pisa 2025 tambem trouxe o resultado de desempenho, e ele nao acompanha a adocao da tecnologia. Na prova de matematica, so 28% dos estudantes brasileiros alcancaram o nivel considerado basico, contra 65% na media da OCDE. Os detalhes desse recorte estao em Pisa 2025: so 28% dos estudantes brasileiros atingem o basico em matematica.

O que muda na pratica para quem tem filho na escola

Para a familia, o dado diz que o uso ja esta consolidado e nao depende de autorizacao da escola. O que segue em aberto e a orientacao. Tres pontos ajudam a conversa em casa:

  1. Perguntar ao aluno para que ele usa a ferramenta. Pesquisar um tema novo e resumir um texto exigem conferencia da fonte; escrever a redacao inteira substitui o exercicio que a prova vai cobrar.
  2. Checar se a escola tem regra escrita sobre IA. A lei do celular nao alcanca o chatbot acessado em casa, no computador da biblioteca ou no proprio aparelho da escola.
  3. Conferir o que a ferramenta devolveu. Modelos de IA erram data, numero e citacao, e o erro sai com a mesma aparencia de resposta correta.

A proxima edicao do Pisa deve ampliar o bloco sobre tecnologia, segundo a OCDE. Como a serie comeca agora, ainda nao ha base de comparacao para dizer se o uso cresce, estabiliza ou muda de finalidade nos proximos anos.

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