Imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta segunda-feira (24) mostram agentes da Polícia Civil do Distrito Federal xingando o vigilante William Cesar Pinto Junior, 48 anos, baleado por policiais civis na manhã de 19 de agosto na Quadra 8 do Setor Oeste do Gama. O caso está na Corregedoria-Geral da corporação.
A abordagem aconteceu por volta das 5h50, quando o vigilante saía de casa para o trabalho. Segundo a Polícia Civil, agentes de um departamento especializado estavam na região para cumprir um mandado de prisão. A corporação não confirmou se o vigilante era alvo da operação.
Nos vídeos, registrados por câmeras de estabelecimentos da quadra, aparecem a abordagem, a perseguição e o disparo. Em um dos trechos, policiais gritam com o vigilante já rendido, com falas como “filho da p…, você fugiu de quê?” e “solta essa p…”. Outro trecho mostra agentes mexendo no carro do vigilante e reposicionando o veículo em outra rua.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a PCDF afirmou que os agentes se apresentaram à delegacia logo após a ocorrência.
Imediatamente após os fatos, os policiais envolvidos apresentaram-se à delegacia da área para o registro da ocorrência e adoção das providências legais.
O caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, responsável por apurar a conduta dos agentes. A corporação não informou quantos policiais participaram da ação nem se algum deles foi afastado das funções durante a apuração.
William trabalhava havia mais de dez anos como vigilante terceirizado na Residência Oficial da Presidência do Senado Federal. Ele chegou consciente ao hospital e, de acordo com a família, relatou ter sido atingido por policiais. O tiro atingiu o pulmão e perfurou uma artéria. O vigilante não resistiu e foi enterrado em 21 de agosto. O Senado divulgou nota lamentando a morte.
A família cobra explicações sobre por que o disparo foi feito. “Atiraram antes de perguntar quem ele era”, afirmou uma sobrinha, que também relatou que o tio foi seguido antes da abordagem.
O que a Corregedoria apura
A apuração disciplinar corre em paralelo à investigação criminal da ocorrência. Nesse tipo de caso, a Corregedoria costuma examinar:
- se havia justificativa legal para o disparo, à luz do uso proporcional da força;
- se a abordagem seguiu o procedimento operacional padrão da corporação;
- se houve preservação do local dos fatos, ponto diretamente afetado pelas imagens que mostram o veículo sendo movido;
- a conduta verbal dos agentes durante a ação.
Os policiais envolvidos não tiveram os nomes divulgados e não há, até agora, indiciamento formal. Todos são tratados como investigados, sem condenação em qualquer instância.
Moradores do DF que queiram registrar denúncia contra conduta de agentes da Polícia Civil podem procurar a Corregedoria-Geral da PCDF, a Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública do DF ou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que exerce o controle externo da atividade policial.
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A reportagem não teve acesso à íntegra das imagens nem ao inquérito, que corre sob sigilo. Novas informações sobre a conclusão da Corregedoria serão publicadas quando divulgadas pela corporação.








