Importação de cannabis medicinal sobe 29% e bate recorde em 2026

agosto 22, 2026
Folhas de cannabis em close, cultivadas ao ar livre

A Anvisa autorizou 116.372 importações de produtos à base de cannabis para uso medicinal entre janeiro e junho de 2026, alta de quase 29% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números constam de levantamento da empresa Cannect, obtido junto à agência por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgado em 19 de agosto.

A média mensal ficou perto de 20 mil autorizações no primeiro semestre. Em igual período de 2025, era de cerca de 15 mil por mês. Março concentrou o maior volume, com 23.199 autorizações, e junho registrou 18.255 pedidos.

O que mudou nas regras em 2026

Desde 4 de maio está em vigor a RDC 1.015/2026, publicada em fevereiro, que atualizou as regras de autorização sanitária para fabricação e importação de produtos de cannabis destinados ao uso medicinal humano. A norma sucede a RDC 327/2019, que havia estruturado o setor no país.

A autorização de importação é o instrumento pelo qual o paciente com prescrição médica pode trazer do exterior produto que não tem registro comercial no Brasil. O pedido é individual e passa pela análise da agência.

Como funciona o pedido de importação

O caminho para quem precisa do produto segue estas etapas:

  • Consulta médica e prescrição, com indicação do produto, da concentração e da posologia;
  • Cadastro do paciente no sistema da Anvisa, com os documentos pessoais e o laudo ou receita;
  • Solicitação da autorização de importação, que tem prazo de validade e precisa ser renovada;
  • Compra junto ao fornecedor estrangeiro e desembaraço aduaneiro com a autorização em mãos.

A autorização não garante cobertura de custo. O gasto costuma recair sobre o paciente, salvo decisão judicial ou fornecimento por programa específico. Há decisão do Superior Tribunal de Justiça que obriga planos de saúde a cobrir canabidiol importado sem registro no país.

Por que a curva subiu

O crescimento acompanha a ampliação do número de médicos que prescrevem o produto e a consolidação do uso em quadros crônicos, com tratamento continuado, e não como terapia pontual. Quando o uso vira manutenção, cada paciente gera pedidos recorrentes ao longo do ano, e o total de autorizações sobe mesmo sem mudança proporcional no número de pacientes.

O pico de março, acima da média do semestre, foi apontado no levantamento como fora do padrão, sem que a variação tenha sido atribuída a uma causa única.

O produto importado chega em formatos variados, do óleo em frasco conta-gotas a cápsulas, e o valor depende da concentração e do fornecedor. Como a autorização é individual e tem prazo, a renovação precisa ser pedida antes do vencimento para não interromper o tratamento.

O que observar daqui para frente

A regulamentação em vigor desde maio ainda produz efeitos sobre o mercado, tanto na importação quanto na produção nacional autorizada. A agência mantém a exigência de autorização individual para o produto importado, e a evolução dos números depende do ritmo de registro de produtos nacionais.

Pacientes e familiares que buscam a via da importação devem conferir a lista de produtos e as exigências documentais na página da Anvisa antes de iniciar o pedido, porque a documentação incompleta é a principal causa de indeferimento.

Leia também: Anvisa libera venda de remédios por iFood, Rappi e Mercado Livre.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal