Morreu na segunda-feira (17), aos 77 anos, a jornalista Zenaide Azeredo, que cobriu a área militar em Brasília durante a transição do regime militar para a democracia. A morte foi anunciada na quarta-feira (19) pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF e confirmada pela família.
O sepultamento está marcado para esta quinta-feira (20), às 9h, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Em mais de quatro décadas de profissão, Zenaide passou por Jornal do Brasil, O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Jornal de Brasília. Na capital, ficou conhecida pela cobertura dos ministérios militares e do Quartel-General do Exército, área que acompanhou nos anos 1980, quando o país saía da ditadura.
A repórter que ocupou um espaço fechado às mulheres
A cobertura militar era, à época, um dos ambientes mais restritos do jornalismo político brasileiro, e um dos que menos abriam espaço para repórteres mulheres. Zenaide construiu ali fontes próprias e reputação.
O jornalista Ivan Godoy, que conviveu com ela na cobertura, resumiu o trabalho da colega.
“Ela entendia muito de cobertura militar e conseguia abordar o assunto de uma forma muito boa. Era muito precisa, muito firme no que falava e no que compreendia”
A jornalista Tânia Monteiro, que disputou pautas com Zenaide durante anos na mesma área, lembrou a rotina das duas atrás de informação nos corredores e escadarias dos ministérios militares e no QG do Exército. Segundo ela, Zenaide era combativa, crítica e incisiva nas entrevistas, e respeitada até por quem não gostava do que ela escrevia.
Tânia também associou a colega à geração de repórteres que abriu caminho para mulheres na profissão, em uma redação e em uma fonte majoritariamente masculinas.
Da imprensa ao serviço público
Zenaide foi a primeira assessora de imprensa do Ministério da Defesa, criado no governo Fernando Henrique Cardoso a partir da unificação das pastas militares. Segundo o relato de Tânia Monteiro, ela defendeu que a sala da assessoria ficasse ao lado do gabinete do ministro, para garantir acesso à informação.
Fora da editoria militar, cobriu povos indígenas e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e participou das discussões que resultaram na criação do Ministério das Mulheres. Mais tarde, trabalhou na comunicação da Secretaria de Previdência Complementar nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal destacou o legado da profissional.
“A trajetória de Zenaide deixa o legado do jornalismo ético, correto, preciso e, sobretudo, de respeito com a história do país”
O Ministério da Defesa foi criado em 1999 e reuniu sob comando civil as pastas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além do Estado-Maior das Forças Armadas. Montar a comunicação da nova estrutura significava organizar do zero o fluxo de informação entre três forças acostumadas a falar separadamente com a imprensa.
A causa da morte não foi divulgada pela família.
É a segunda perda em uma semana para o jornalismo da capital. Em 16 de agosto, morreu em Brasília o jornalista Luiz Gutemberg, aos 88 anos.








