Morre em Brasília o jornalista Luiz Gutemberg, aos 88 anos

agosto 17, 2026
Câmera profissional de estúdio de televisão em close

O jornalista e escritor Luiz Gutemberg morreu na tarde de domingo (16), aos 88 anos, no Hospital do Coração de Brasília, onde estava internado havia semanas. A causa foi pneumonia. Ele completaria 89 anos no dia 24 de agosto.

Gutemberg construiu quase toda a carreira na cobertura de poder e chegou a Brasília em 1969, para trabalhar na revista Veja no período dos governos militares. Ficou na cidade pelas cinco décadas seguintes, entre redação, sala de aula e televisão.

Nascido em Maceió, começou aos 16 anos na Gazeta de Alagoas. Aos 18 mudou para o Rio de Janeiro, onde entrou no Jornal do Brasil, então em plena reformulação editorial conduzida por Odylo Costa Filho. Passou também pela revista Manchete, ao lado de Alberto Dines e Nahum Sirotsky.

A passagem pelo Jornal do Brasil aparece na maioria dos relatos sobre ele como o trecho mais importante da carreira. O jornal era, naquele período, a redação onde se testava um novo padrão de texto e de diagramação na imprensa brasileira, e Gutemberg entrou nela ainda no começo dos vinte anos.

Da redação à análise na TV

Nos anos 1980 foi editor-geral do Jornal de Brasília e depois montou o próprio veículo, o jornal JOSÉ, dedicado a análise política. Deu aula na Universidade de Brasília e foi assessor especial da Presidência da República no governo José Sarney.

A projeção nacional veio com a televisão. Como analista político da TV Bandeirantes, comentou dois dos episódios que marcaram a redemocratização: a eleição presidencial de 1989, a primeira direta depois do regime militar, e o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992.

Na literatura, a obra mais conhecida é O jogo da gata parida, de 1987, que ficou meses nas listas de mais vendidos. Também assinou os romances O Anjo Americano, O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco, Auto da perseguição e Morte do Mateu.

Na linha das biografias, escreveu Moisés, codinome Ulysses Guimarães, sobre o deputado que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, além dos perfis Quem é… Pedro Simon e Quem é… Jorge Bornhausen. Ele também organizou uma edição comemorativa dedicada a Ulysses.

Os três biografados pertencem ao mesmo ciclo político que Gutemberg cobriu como repórter em Brasília: o da transição do regime militar para a Nova República, com a Constituinte no centro. Escrever sobre eles foi uma extensão do trabalho de redação, não um desvio dele.

Repercussão

A Associação Brasileira de Imprensa registrou a morte tratando Gutemberg como referência do jornalismo político brasileiro. Na Universidade de Brasília, a professora Dione Moura resumiu a permanência dele na profissão em declaração ao Correio Braziliense.

“Ele representa o jornalismo, por isso o verbo no presente, então fica na história, não sai da história.”

Segundo o Correio Braziliense, ele era casado com a jornalista Rosângela Bittar e era pai de Olívia. O Metrópoles informou que deixa quatro filhos. Até a publicação desta matéria, a família não havia divulgado detalhes de velório e sepultamento.

A trajetória de Gutemberg cruza os veículos que formaram a cobertura política feita de Brasília, do Jornal do Brasil ao horário eleitoral na TV, e a maior parte dos seus livros trata do mesmo assunto que ele cobriu como repórter: a disputa pelo poder no país.

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