Um homem em situação de rua atirou pedras contra um carro estacionado na garagem de um prédio da 405 Sul e quebrou o retrovisor do veículo com um pedaço de madeira na madrugada de sábado (15), por volta das 4h. Em seguida, ele ateou fogo a uma lixeira de um edifício vizinho. Ninguém ficou ferido.
Segundo o relato do morador dono do carro, o alarme do veículo disparou de repente na garagem do prédio e a sequência começou logo depois. O homem arremessava pedras na direção do carro enquanto gritava. O prejuízo com a troca do retrovisor foi estimado em cerca de R$ 600.
A Polícia Militar foi acionada e chegou ao local cerca de 40 minutos depois. As equipes fizeram rondas na quadra e nas vias próximas, mas não localizaram o suspeito. Não houve prisão. O caso foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles e pelo portal Condomínio Interativo, que ouviram moradores do edifício.
O que fazer quando o caso acontece no seu prédio
Situações como essa combinam dano ao patrimônio e risco de incêndio, e cada uma tem um canal próprio de acionamento. A orientação padrão das corporações do DF é registrar tudo o que puder ser usado depois.
- 190 é o número da Polícia Militar do Distrito Federal, para ocorrência em andamento com risco de dano ou de agressão.
- 193 é o número do Corpo de Bombeiros Militar, acionado em caso de fogo, mesmo em lixeira ou entulho, pelo risco de propagação para veículos e vagas cobertas.
- Imagens do circuito interno de segurança devem ser preservadas pelo síndico. A maioria dos sistemas de condomínio grava por prazo limitado e apaga o arquivo automaticamente.
- O registro de ocorrência é o documento que sustenta o pedido de reparação do prejuízo e a cobrança de vistoria na área comum.
- Para pessoas em situação de rua que aceitam atendimento, a porta de entrada é o Centro Pop, unidade de referência da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF).
A Sedes-DF não havia se manifestado sobre o episódio da 405 Sul até a publicação desta reportagem. Até agora não houve divulgação pública sobre a identificação do suspeito.
Acolhimento do GDF passou pela Asa Sul dias antes
O episódio ocorreu na semana seguinte a uma rodada de ações de acolhimento à população em situação de rua conduzida pelo Governo do Distrito Federal no Plano Piloto e em outras regiões administrativas. Nos dias 11 e 12 de agosto, as equipes passaram por 42 pontos, entre eles a Torre de TV, o Centro Pop da Asa Sul, a Praça do Índio, na SHIGS 703, e áreas da 306 Sul. Depois, a operação seguiu para Sobradinho, Sobradinho II e Samambaia.
As ações reúnem a Sedes, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), a Secretaria de Saúde, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. A oferta inclui abrigo, encaminhamento para serviços de saúde e cadastro em programas de renda e de trabalho.
“Pela primeira vez, temos lei e fluxograma. Antes, a Polícia Militar muitas vezes tinha receio de abordar, não sabia como proceder diante de casos graves. Agora, todos os órgãos sabem exatamente o que fazer”, afirmou a governadora Celina Leão (PP).
Os pertences de quem é atendido são levados ao endereço indicado pela própria pessoa. Quando não há ponto fixo, os objetos vão para um depósito no SIA, Trecho 4, lotes 1380 e 1420, e podem ser retirados no prazo de 60 dias, sem custo. O procedimento segue o que o Supremo Tribunal Federal determinou no julgamento da ADPF 976, que exige divulgação prévia das ações e informação sobre o destino dos bens recolhidos.
O roteiro de acolhimento tem avançado por quadras do Plano Piloto ao longo do mês. A operação chegou à 611 Norte nos dias 13 e 14, com a mesma composição de órgãos e a mesma oferta de vagas em unidades de acolhimento.
O que vem pela frente
O GDF mantém o calendário de ações por regiões administrativas, com divulgação prévia dos endereços, exigência fixada pela decisão do STF. Para o morador que teve o carro atingido, o caminho é o registro da ocorrência e o acionamento do seguro ou do condomínio, conforme a regra de responsabilidade prevista na convenção do prédio.
Enquanto o suspeito não é identificado, o caso segue sem indiciamento. O patrulhamento feito na região depois do chamado não localizou o homem, conforme o relato divulgado pelos moradores do prédio.








