O baiano Luís Souza da Silva, de 28 anos, está desaparecido desde o sábado (15), quando chegou ao Distrito Federal para encontrar um amigo em um shopping de Taguatinga Norte e seguir com ele até um estande de tiro no Entorno. O caso é investigado pela 17ª Delegacia de Polícia.
Luís é natural de Santa Maria da Vitória, no oeste da Bahia, e tem registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Ele viajou ao DF no mesmo dia do desaparecimento. Desde o encontro marcado no shopping, a família não teve mais notícias dele. O irmão comunicou o sumiço à polícia.
De acordo com o delegado Thiago Boeing, responsável pelo caso e ouvido pelo Metrópoles, as equipes já fizeram buscas na região entre a Cidade Estrutural e Vicente Pires, inclusive com apoio aéreo. “Nós fizemos sobrevoo no local e nada foi localizado”, afirmou o delegado.
Amigo foi identificado, mas ainda não depôs
A investigação identificou o amigo que marcou o encontro com Luís, mas ele ainda não foi localizado para prestar depoimento. É a principal linha de apuração no momento, já que foi a última pessoa com quem a vítima teria contato confirmado.
A PCDF não divulgou se o estande de tiro que seria o destino da dupla chegou a registrar a entrada de Luís, nem se há imagens de câmeras do shopping de Taguatinga Norte no material da investigação. Também não há informação sobre o veículo usado no deslocamento.
O prazo importa nesse tipo de caso. As primeiras 48 horas concentram a maior chance de localização com vida, e o registro imediato do desaparecimento é o que permite acionar buscas, rastrear sinal de celular e pedir imagens de monitoramento antes que sejam descartadas pelos estabelecimentos, que costumam manter gravações por poucos dias.
O que é o registro de CAC
A sigla CAC identifica quem tem autorização para colecionar armas, praticar tiro desportivo ou caçar dentro das hipóteses previstas em lei. É um registro distinto do porte comum e exige vínculo formal com a atividade declarada.
Desde 2025, o controle desses registros deixou de ser feito pelo Exército e passou à Polícia Federal, com tramitação pelo sistema Sinarm-CAC, em processo digital. Para a modalidade de atirador desportivo, a filiação a clube de tiro credenciado pela PF é obrigatória, com comprovação de participação em treinos, além da Declaração de Segurança do Acervo, que atesta a existência de cofre ou local com tranca para guarda das armas desmuniciadas.
No caso de Luís, o registro de CAC explica o deslocamento: a ida a um estande de tiro é a prática regular exigida de quem mantém a habilitação de atirador desportivo. A PCDF não informou se ele levava arma consigo na viagem, nem se o estande de destino é credenciado.
Como comunicar um desaparecimento no DF
Não é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar o desaparecimento de uma pessoa, ao contrário do que a crença popular sustenta. O registro pode ser feito imediatamente. Os canais são:
- Delegacia da área: o boletim pode ser aberto em qualquer delegacia da PCDF, de preferência a da região onde a pessoa foi vista pela última vez;
- Disque-denúncia 197: recebe informações sobre paradeiro, com sigilo garantido;
- WhatsApp (61) 98626-1197: aceita mensagem, foto e vídeo;
- E-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br;
- Site pcdf.df.gov.br/servicos/197, para denúncia on-line.
Feito o registro, a delegacia pode requisitar imagens de câmeras públicas e privadas, pedir à Justiça a quebra de sigilo telefônico para rastrear a última localização do aparelho e inserir os dados da pessoa nos sistemas de busca compartilhados entre as polícias. Cada uma dessas medidas depende de prazo, e é por isso que o adiamento do boletim reduz a chance de sucesso.
Ao registrar, a orientação é levar foto recente, descrição de roupas, características físicas, número de telefone da pessoa e a informação mais precisa possível sobre o último local e horário em que foi vista. Qualquer detalhe sobre com quem ela estava é relevante para a investigação.
A PCDF vem conduzindo operações com apoio de imagens e rastreamento em casos recentes no DF, como no inquérito sobre o homem que se passava por policial no Riacho Fundo. Quem tiver informação sobre o paradeiro de Luís Souza da Silva deve acionar o 197.








