CAC de 28 anos desaparece no DF após sair para estande de tiro

agosto 19, 2026
Alvo de papel com marcas de tiro pendurado em estande de tiro fechado

O baiano Luís Souza da Silva, de 28 anos, está desaparecido desde o sábado (15), quando chegou ao Distrito Federal para encontrar um amigo em um shopping de Taguatinga Norte e seguir com ele até um estande de tiro no Entorno. O caso é investigado pela 17ª Delegacia de Polícia.

Luís é natural de Santa Maria da Vitória, no oeste da Bahia, e tem registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Ele viajou ao DF no mesmo dia do desaparecimento. Desde o encontro marcado no shopping, a família não teve mais notícias dele. O irmão comunicou o sumiço à polícia.

De acordo com o delegado Thiago Boeing, responsável pelo caso e ouvido pelo Metrópoles, as equipes já fizeram buscas na região entre a Cidade Estrutural e Vicente Pires, inclusive com apoio aéreo. “Nós fizemos sobrevoo no local e nada foi localizado”, afirmou o delegado.

Amigo foi identificado, mas ainda não depôs

A investigação identificou o amigo que marcou o encontro com Luís, mas ele ainda não foi localizado para prestar depoimento. É a principal linha de apuração no momento, já que foi a última pessoa com quem a vítima teria contato confirmado.

A PCDF não divulgou se o estande de tiro que seria o destino da dupla chegou a registrar a entrada de Luís, nem se há imagens de câmeras do shopping de Taguatinga Norte no material da investigação. Também não há informação sobre o veículo usado no deslocamento.

O prazo importa nesse tipo de caso. As primeiras 48 horas concentram a maior chance de localização com vida, e o registro imediato do desaparecimento é o que permite acionar buscas, rastrear sinal de celular e pedir imagens de monitoramento antes que sejam descartadas pelos estabelecimentos, que costumam manter gravações por poucos dias.

O que é o registro de CAC

A sigla CAC identifica quem tem autorização para colecionar armas, praticar tiro desportivo ou caçar dentro das hipóteses previstas em lei. É um registro distinto do porte comum e exige vínculo formal com a atividade declarada.

Desde 2025, o controle desses registros deixou de ser feito pelo Exército e passou à Polícia Federal, com tramitação pelo sistema Sinarm-CAC, em processo digital. Para a modalidade de atirador desportivo, a filiação a clube de tiro credenciado pela PF é obrigatória, com comprovação de participação em treinos, além da Declaração de Segurança do Acervo, que atesta a existência de cofre ou local com tranca para guarda das armas desmuniciadas.

No caso de Luís, o registro de CAC explica o deslocamento: a ida a um estande de tiro é a prática regular exigida de quem mantém a habilitação de atirador desportivo. A PCDF não informou se ele levava arma consigo na viagem, nem se o estande de destino é credenciado.

Como comunicar um desaparecimento no DF

Não é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar o desaparecimento de uma pessoa, ao contrário do que a crença popular sustenta. O registro pode ser feito imediatamente. Os canais são:

  • Delegacia da área: o boletim pode ser aberto em qualquer delegacia da PCDF, de preferência a da região onde a pessoa foi vista pela última vez;
  • Disque-denúncia 197: recebe informações sobre paradeiro, com sigilo garantido;
  • WhatsApp (61) 98626-1197: aceita mensagem, foto e vídeo;
  • E-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br;
  • Site pcdf.df.gov.br/servicos/197, para denúncia on-line.

Feito o registro, a delegacia pode requisitar imagens de câmeras públicas e privadas, pedir à Justiça a quebra de sigilo telefônico para rastrear a última localização do aparelho e inserir os dados da pessoa nos sistemas de busca compartilhados entre as polícias. Cada uma dessas medidas depende de prazo, e é por isso que o adiamento do boletim reduz a chance de sucesso.

Ao registrar, a orientação é levar foto recente, descrição de roupas, características físicas, número de telefone da pessoa e a informação mais precisa possível sobre o último local e horário em que foi vista. Qualquer detalhe sobre com quem ela estava é relevante para a investigação.

A PCDF vem conduzindo operações com apoio de imagens e rastreamento em casos recentes no DF, como no inquérito sobre o homem que se passava por policial no Riacho Fundo. Quem tiver informação sobre o paradeiro de Luís Souza da Silva deve acionar o 197.

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