A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) monitora outros dois animais depois de confirmar um caso de raiva canina no Lago Norte, o primeiro diagnosticado em cães no DF desde 2000. Os dois bichos tiveram contato com o cachorro doente, iniciaram medidas de profilaxia e seguem sob vigilância da equipe de saúde ambiental.
O diagnóstico foi fechado pelo Laboratório de Patologia Veterinária da Universidade de Brasília (LPV-UnB), em exames de necropsia e investigação anatomopatológica feitos após a morte do animal. O cão apresentou os primeiros sinais da doença em 23 de julho e morreu seis dias depois.
Transmissão silvestre e bloqueio de vacinação
A SES-DF classificou a transmissão como silvestre, possivelmente ligada a morcegos presentes na propriedade onde o animal vivia. Essa variante circula na fauna e chega aos animais domésticos quando há contato com morcegos, o que muda a lógica da prevenção: não basta evitar cães desconhecidos na rua.
A pasta realizou bloqueio de vacinação em 11 de agosto e monitora os animais em um raio de 500 metros do foco. O trabalho consiste em vacinar os cães e gatos da área e acompanhar o aparecimento de sinais em cada um deles durante o período de incubação.
O bloqueio é um procedimento padrão da vigilância em saúde diante de um caso confirmado. A lógica é fechar um cerco de imunização em volta do foco para que, se o vírus tiver circulado além do animal identificado, não encontre bichos suscetíveis pela frente. O acompanhamento dos animais que tiveram contato direto se estende por meses, porque o período entre a exposição e o aparecimento dos sinais varia bastante.
A campanha de vacinação continua neste mês
A Campanha Nacional de Vacinação Antirrábica Animal de 2026 está em andamento no DF, com mobilizações em agosto. No primeiro dia de mutirão, em 15 de agosto, foram aplicadas mais de 23 mil doses em cães e gatos. A vacina é gratuita.
Para levar o animal ao posto, vale observar alguns pontos:
- A vacina é indicada para cães e gatos a partir de três meses de idade;
- Cães devem ir com coleira e guia; gatos, em caixa de transporte;
- Animais doentes, em fim de gestação ou em tratamento devem ser avaliados antes por um veterinário;
- A proteção é anual, então o reforço vale mesmo para quem vacinou no ano passado.
O que fazer em caso de mordida ou contato com morcego
A raiva é uma doença letal depois que os sintomas aparecem, mas é evitável com atendimento rápido. Quem for mordido, arranhado ou lambido em ferida por qualquer animal deve lavar o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde no mesmo dia para avaliação da profilaxia pós-exposição.
Morcego encontrado no chão, em horário diurno ou com dificuldade de voar não deve ser tocado com as mãos. O ideal é isolar o local, impedir o acesso de crianças e de animais domésticos e acionar a vigilância ambiental para o recolhimento e o envio ao laboratório.
No animal doente, os sinais incluem mudança brusca de comportamento, agressividade ou apatia fora do padrão, salivação intensa, dificuldade para engolir e paralisia progressiva. Diante desse quadro, o tutor deve evitar o contato direto e procurar orientação veterinária imediatamente.
A profilaxia pós-exposição em humanos é oferecida pela rede pública e inclui, conforme a avaliação do caso, a limpeza do ferimento, a aplicação da vacina em esquema definido pelo serviço de saúde e, em situações mais graves, o soro. A decisão sobre o esquema cabe ao profissional que atende, e leva em conta o tipo de contato, a espécie do animal envolvido e a possibilidade de observá-lo depois.
Cuidados na propriedade também reduzem o risco em áreas onde há morcegos, como o Lago Norte e outras regiões arborizadas do DF: fechar frestas e vãos no telhado, evitar deixar ração e restos de alimento expostos à noite e não manipular animais silvestres feridos sem equipamento de proteção.
Por que o caso chamou atenção
O DF não registrava a variante em cães desde o ano 2000. O intervalo de 26 anos é resultado das campanhas anuais de vacinação, que interromperam o ciclo urbano da doença no país. A ocorrência do Lago Norte não altera essa condição, mas mostra que o vírus segue circulando na fauna silvestre e que a cobertura vacinal precisa se manter alta para que a transmissão não se restabeleça.
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