A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta quinta-feira (13/8) três pessoas suspeitas de usar o nome do Unicef, o fundo das Nações Unidas para a infância, em uma campanha falsa de doações por Pix. A ação recebeu o nome de operação Orfeu.
Dois suspeitos foram presos em Imperatriz, no Maranhão, e um em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. A investigação é da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, a DRCC, e teve início a partir de registros feitos por vítimas no Distrito Federal.
Como o grupo usava o nome da ONU
Segundo a apuração, os investigados montaram uma suposta campanha humanitária e afirmavam que os valores transferidos seriam destinados à proteção de crianças em situação de vulnerabilidade. Para dar aparência de legitimidade à arrecadação, o grupo conseguiu abrir uma conta bancária vinculada a um Microempreendedor Individual usando o nome da organização.
Com a conta aberta, os pedidos de transferência chegavam às vítimas acompanhados da imagem e do nome do Unicef. A polícia identificou pessoas lesadas no DF e em outras unidades da federação, o que indica atuação em mais de uma região do país.
- Abertura de conta de MEI com o nome de uma organização internacional.
- Campanha de doação divulgada fora dos canais oficiais da entidade.
- Pedido de transferência por Pix, sem recibo nem prestação de contas.
- Uso de logotipo e identidade visual da instituição em material próprio.
A corporação não informou o valor total arrecadado pelo grupo nem o número de vítimas identificadas até agora. O inquérito segue em andamento.
O que checar antes de doar
A orientação da Polícia Civil é verificar a autenticidade de qualquer campanha beneficente antes da transferência, consultar os canais oficiais da instituição citada e desconfiar de pedidos que circulam por links, perfis ou páginas que não sejam da própria entidade.
Organizações internacionais e ONGs de grande porte mantêm páginas próprias de doação, com CNPJ visível e recibo. Pedido enviado por mensagem privada, com chave Pix de pessoa física ou de MEI desconhecido, é sinal de fraude.
Há um teste simples: entre no site oficial da entidade digitando o endereço no navegador, sem clicar em link recebido, e confira se a campanha existe. Se o pedido tiver vindo por rede social, procure o selo de verificação do perfil e compare o nome de usuário com o que consta no site.
- Confira o CNPJ do recebedor no comprovante antes de confirmar o Pix.
- Compare o nome do titular da chave com o nome da instituição.
- Desconfie de urgência e de apelo emocional com prazo curto.
- Não doe por link enviado em grupo de mensagens.
- Guarde comprovantes e prints em caso de suspeita.
Onde registrar a ocorrência
Quem transferiu dinheiro para uma campanha falsa deve procurar o banco imediatamente e pedir o Mecanismo Especial de Devolução, previsto pelo Banco Central para casos de fraude em Pix. O pedido precisa ser feito em até 80 dias da transação.
O registro da ocorrência pode ser feito na Delegacia Eletrônica da PCDF, sem sair de casa, ou na delegacia mais próxima. Denúncias anônimas vão pelo 197. Reunir extrato, comprovante do Pix e o histórico das mensagens ajuda a vincular o caso a investigações já em curso.
Leia também: outras notícias de segurança no Distrito Federal.
Os três presos ficam à disposição da Justiça. Eles respondem no inquérito e são tratados como suspeitos até decisão judicial definitiva.
Perguntas frequentes
Como funcionava o golpe do Unicef?
Os suspeitos criaram uma campanha humanitária falsa, abriram uma conta de MEI usando o nome da organização e pediam transferências por Pix, dizendo que o dinheiro iria para crianças em situação de vulnerabilidade.
Quantas pessoas foram presas e onde?
Três. Dois suspeitos em Imperatriz, no Maranhão, e um em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, na operação Orfeu, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PCDF.
Dá para recuperar o dinheiro enviado por Pix?
É possível pedir ao banco o Mecanismo Especial de Devolução, previsto pelo Banco Central para casos de fraude. O pedido deve ser feito em até 80 dias da transação.
Como saber se uma campanha de doação é verdadeira?
Digite o endereço do site oficial da entidade no navegador, sem clicar em links recebidos, confira se a campanha existe e verifique se o CNPJ do recebedor bate com o da instituição.








