Setor de serviços fica estável em junho e sobe 2% no semestre

agosto 12, 2026
Cliente paga com cartão em maquininha no caixa de um salão de beleza

O volume de serviços no país ficou estável em junho na comparação com maio, informou nesta quarta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente a junho de 2025, o setor cresceu 2%, mesma taxa acumulada no primeiro semestre de 2026. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

O setor responde pela maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e reúne atividades que sustentam boa parte do emprego urbano, de restaurantes e salões de beleza a transporte de carga, tecnologia da informação e serviços prestados a empresas. Em Brasília o peso é ainda maior, porque a economia local é dominada por serviços e pela administração pública.

Os números da pesquisa

  • Junho contra maio: estabilidade, sem variação;
  • Junho de 2026 contra junho de 2025: alta de 2%;
  • Primeiro semestre de 2026: alta de 2% sobre o mesmo período do ano passado;
  • Acumulado em 12 meses: alta de 2,6%;
  • Segundo trimestre contra o primeiro: alta de 0,4%.

Onde o setor cresceu e onde recuou

O desempenho no semestre foi desigual entre as cinco atividades pesquisadas. Informação e comunicação puxou o resultado, com crescimento de 6,8%, o dobro do avanço do grupo seguinte. Serviços profissionais, administrativos e complementares subiram 2,4%, e serviços prestados às famílias avançaram 2%.

No lado negativo, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 1,2%. O grupo de outros serviços ficou estável no período.

O recuo em transportes merece leitura à parte. O grupo reúne carga rodoviária, transporte de passageiros e entregas, atividades sensíveis ao custo do diesel e ao ritmo do comércio. Quando o frete desacelera, o efeito costuma aparecer semanas depois na indústria e no varejo, porque o transporte é o elo que move o estoque.

Já o avanço de informação e comunicação acompanha a expansão de serviços digitais, de software e de conectividade contratados por empresas. É a atividade com maior valor agregado por trabalhador dentro do setor, o que ajuda o resultado agregado mesmo quando os demais grupos andam de lado.

“Não há indícios de escalada, tampouco trajetória descendente”, afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, ao avaliar que o setor opera perto do ponto mais alto da série, em ritmo acomodado.

O que o resultado indica

Um setor que para de crescer no mês, mas se mantém no topo da série histórica, sinaliza acomodação e não retração. O ponto de atenção está no ritmo: a taxa de expansão do primeiro semestre é menos intensa que a de semestres anteriores, segundo o próprio IBGE, o que sustenta a leitura de estabilidade.

Para o trabalhador, o dado importa por um motivo direto. Serviços é o setor que mais abre vaga formal em capitais como Brasília, e a perda de fôlego no volume tende a aparecer com defasagem na contratação. Para o consumidor, o efeito é indireto e chega pelo preço: atividade acomodada reduz a pressão de demanda sobre tarifas de serviços, item que costuma ter inércia maior na inflação.

Vale entender o que a palavra estabilidade significa aqui. A comparação de junho com maio usa a série com ajuste sazonal, que retira o efeito de calendário e de fatores repetidos todo ano, como férias e datas comemorativas. Sem esse ajuste, meses com mais dias úteis pareceriam sempre melhores. Quando o IBGE informa variação zero nessa base, a leitura é de que o setor produziu em junho o mesmo volume de maio, e não de que o mês foi fraco.

As outras comparações respondem a perguntas diferentes. O confronto com junho de 2025 mede o quanto o setor cresceu em um ano. O acumulado de 12 meses, de 2,6%, suaviza oscilações pontuais e mostra a tendência de médio prazo. Como esse número segue acima da alta de 2% do semestre, a leitura é de desaceleração na margem, com o ritmo recente abaixo do observado nos 12 meses anteriores.

A PMS é acompanhada de perto porque antecipa parte do cálculo do PIB. Com serviços em estabilidade no fim do segundo trimestre, o resultado trimestral do setor, de alta de 0,4%, passa a depender mais do que aconteceu em abril e maio do que do fechamento de junho.

A próxima divulgação traz os dados de julho e permite verificar se a estabilidade foi ponto fora da curva ou início de um novo patamar. Leia também: cesta básica em Brasília cai 6,71% em julho.

Perguntas frequentes

O que é a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE?

É o levantamento mensal que mede o volume e a receita do setor de serviços no Brasil, dividido em cinco grandes grupos de atividade. Serve de indicador antecedente para o cálculo do PIB.

Qual atividade mais cresceu no primeiro semestre de 2026?

Informação e comunicação, com alta de 6,8% sobre o mesmo período de 2025. Transportes, serviços auxiliares e correio tiveram o pior desempenho, com queda de 1,2%.

O setor de serviços caiu em junho de 2026?

Não. O volume ficou estável na comparação com maio. Frente a junho de 2025 houve alta de 2%, e o acumulado em 12 meses é de 2,6%.

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