Uma mulher teve queimaduras de primeiro grau depois que um colchão pegou fogo dentro de uma casa no bairro São José, em São Sebastião, na tarde desta terça-feira (11). Duas crianças estavam no imóvel no momento do incêndio, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
O fogo ficou restrito a um cômodo e não se espalhou pela residência, informou a corporação. As causas do incêndio são desconhecidas, e os bombeiros não apontaram origem elétrica nem uso de material inflamável até a publicação desta reportagem.
Quatro pessoas atendidas na ocorrência
Além da mulher, que recebeu atendimento do Samu pelas queimaduras, um menino sofreu queda durante a saída da casa e ficou com edema na cabeça. Uma menina também estava no imóvel. Um homem que entrou na residência para ajudar no resgate inalou grande quantidade de fumaça e precisou de atendimento.
Os feridos foram encaminhados a unidades hospitalares. O SouBrasília não identifica as crianças envolvidas em ocorrências.
Depois de conter as chamas, as equipes fizeram a ventilação do imóvel para retirar a fumaça acumulada. Esse procedimento é padrão em incêndio residencial: a fumaça carrega monóxido de carbono e continua oferecendo risco mesmo depois que o fogo é apagado.
Por que colchão é um dos itens mais perigosos em incêndio doméstico
Espuma de poliuretano, presente na maioria dos colchões, queima rápido e libera fumaça densa e tóxica em poucos minutos. É por isso que uma ocorrência aparentemente pequena, restrita a um cômodo, produz mais vítimas por inalação do que por queimadura.
Ponta de cigarro, vela acesa, aquecedor encostado na cama e carregador de celular sob o travesseiro estão entre as origens mais comuns desse tipo de incêndio. Em nenhum desses casos o fogo começa com chama alta: ele avança devagar, sem ser notado, até atingir a espuma.
A fumaça é a parte mais perigosa. Ela sobe, ocupa o teto e desce até a altura da respiração em poucos minutos, e nesse intervalo a visibilidade dentro de casa cai a quase zero. Quem tenta atravessar um corredor tomado por fumaça costuma perder a orientação mesmo em ambiente conhecido, e é aí que a maioria das vítimas fica presa.
Foi o que aconteceu com o homem que entrou na residência do São José para ajudar. A atitude é comum, mas o Corpo de Bombeiros orienta o contrário: quem não tem equipamento de proteção respiratória não deve entrar em ambiente com fumaça, nem para retirar outra pessoa. O correto é sinalizar a posição da vítima à equipe de resgate.
O que fazer se um cômodo pegar fogo
- Tire todo mundo de casa antes de tentar apagar qualquer coisa;
- Feche a porta do cômodo em chamas para conter a propagação e a fumaça;
- Ligue para o 193, número do Corpo de Bombeiros, e informe o endereço completo e se há pessoas presas;
- Não volte para dentro para buscar objetos ou documentos;
- Se houver fumaça no caminho de saída, abaixe o corpo e se desloque rente ao chão;
- Corte a energia no quadro geral apenas se o disjuntor estiver fora da área atingida.
Período seco aumenta o risco
Brasília atravessa o auge da estiagem. A umidade relativa do ar tem ficado abaixo dos 30% considerados seguros, e no dia 10 de agosto a estação da Ponte Alta, no Gama, registrou 13%. Ar seco acelera a combustão de tecidos, papel e espuma e reduz o tempo entre o início do fogo e a tomada do cômodo.
Nesse período, o CBMDF orienta a redobrar a atenção com fontes de calor dentro de casa e a não deixar velas, incenso ou repelente elétrico acesos em quartos sem ventilação. A recomendação vale principalmente à noite, quando um foco pequeno pode avançar sem que ninguém perceba.
Há ainda um fator elétrico. Na estiagem, o uso de ventilador e de umidificador se estende por mais horas do dia, e a sobrecarga em extensões e benjamins ligados na mesma tomada aquece o fio até derreter o isolamento. Instalação antiga, sem disjuntor por circuito, é a que apresenta maior risco.
Queimadura de primeiro grau: o que é
É a lesão mais superficial, restrita à camada externa da pele. Provoca vermelhidão, dor e sensibilidade ao toque, mas não forma bolha nem exige, na maioria dos casos, internação. O tratamento imediato é resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente por alguns minutos.
O que não deve ser feito é o oposto do que a crença popular manda: nada de gelo direto na pele, pasta de dente, manteiga, borra de café ou pomada sem prescrição. Esses materiais retêm calor, aumentam o risco de infecção e atrapalham a avaliação médica da profundidade da lesão.
O SouBrasília acompanha as ocorrências de fogo no DF nesta temporada. Nesta semana, um incêndio de grande proporção atingiu a reserva do Zoológico de Brasília e mobilizou aeronave do CBMDF.
Perguntas frequentes
Onde foi o incêndio?
Em uma residência do bairro São José, em São Sebastião, na tarde de 11 de agosto de 2026. O fogo começou em um colchão e ficou restrito a um cômodo.
Quantas pessoas ficaram feridas?
Uma mulher teve queimaduras de primeiro grau, um menino sofreu queda com edema na cabeça e um homem que ajudou no resgate inalou grande quantidade de fumaça. Todos foram encaminhados a unidades hospitalares.
Qual foi a causa do incêndio?
As causas são desconhecidas, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. A corporação não apontou origem elétrica nem uso de material inflamável.
Qual o telefone do Corpo de Bombeiros no DF?
O 193 atende ocorrências de incêndio, resgate e salvamento no Distrito Federal, 24 horas por dia. Informe o endereço completo e se há pessoas presas no imóvel.








