A umidade relativa do ar chegou a 13% na estação Ponte Alta, no Gama, na segunda-feira, 10 de agosto, e manteve o Distrito Federal na faixa de alerta laranja do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com o ar nesse patamar, a mucosa do nariz resseca, perde a capacidade de filtrar poeira e fumaça e abre caminho para sangramento, dor de cabeça e infecção respiratória. A medida mais simples contra isso custa poucos reais e está em qualquer farmácia: a lavagem nasal com soro fisiológico 0,9%.
Por que o nariz sofre primeiro
O nariz funciona como um filtro que umidifica e aquece o ar antes de ele chegar ao pulmão. Esse filtro depende de uma camada de muco que só existe se houver água disponível. Quando a umidade cai abaixo dos 30%, o muco engrossa, os cílios que empurram as impurezas para fora perdem mobilidade e as partículas ficam retidas na mucosa.
A Organização Mundial da Saúde considera 60% a faixa ideal de umidade. O Inmet trabalha com três níveis de aviso: amarelo entre 30% e 20%, laranja entre 20% e 12%, e vermelho abaixo de 12%. Brasília passou os últimos dias na faixa laranja, situação registrada no alerta emitido em 10 de agosto.
A fumaça das queimadas agrava o quadro. Otorrinolaringologista ouvido pelo Jornal de Brasília alerta que a combinação de ar seco com material particulado ataca a mucosa de forma direta e cobra atenção redobrada com crianças e idosos, os dois grupos que descompensam mais rápido.
Como fazer a lavagem nasal
O procedimento não exige equipamento caro nem receita médica. A recomendação, presente no guia prático da Sociedade Brasileira de Pediatria e no manual da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, segue esta sequência:
- Use soro fisiológico 0,9%, pronto para uso ou preparado com sachê próprio diluído conforme a embalagem.
- Coloque o soro em uma seringa sem agulha ou em um dispositivo específico para lavagem nasal.
- Incline a cabeça para o lado oposto à narina que vai receber o líquido.
- Aplique de forma suave e constante. O soro entra por uma narina e sai pela outra.
- Respire pela boca durante todo o processo e assoe o nariz sem força ao final.
A frequência mínima é de duas vezes ao dia, e pode subir conforme o desconforto. Em período de estiagem, repetir ao acordar, ao voltar da rua e antes de dormir cobre os três momentos de maior exposição. O soro fisiológico é preferível à água pura porque o pH se aproxima do encontrado dentro do nariz, o que evita ardência.
O que não fazer
Não use água de torneira sem tratamento nem soluções caseiras improvisadas com sal de cozinha em proporção estimada. Não aplique o soro com pressão alta, que empurra secreção para o ouvido. Não substitua a avaliação médica quando houver febre, secreção com pus, dor de ouvido ou sangramento que não estanca.
As demais medidas seguem valendo: beber água ao longo do dia, evitar exercício físico ao ar livre entre 10h e 16h, manter toalha úmida ou bacia com água no ambiente e não queimar lixo ou mato. O período crítico no Planalto Central se estende até a segunda quinzena de setembro, quando a chuva costuma voltar.
Perguntas frequentes
Quantas vezes por dia devo fazer a lavagem nasal no tempo seco?
O mínimo recomendado é duas vezes ao dia. Em período de estiagem, a orientação é repetir ao acordar, ao voltar da rua e antes de dormir, ou sempre que houver desconforto.
Pode usar água em vez de soro fisiológico?
Não. O soro fisiológico 0,9% tem pH próximo ao do interior do nariz e não causa ardência. Água de torneira sem tratamento não deve ser usada.
Qual a umidade do ar considerada perigosa?
A OMS aponta 60% como faixa ideal. O Inmet emite alerta amarelo entre 30% e 20%, laranja entre 20% e 12% e vermelho abaixo de 12%.
Criança pode fazer lavagem nasal?
Sim. A Sociedade Brasileira de Pediatria mantém guia prático sobre o procedimento em crianças. A aplicação deve ser suave e feita por um adulto.








