Celina Leão diz que politizar o BRB é um erro após fala de Durigan

agosto 9, 2026
Celina Leão discursa na tribuna, com a bandeira do Brasil ao fundo

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou na sexta-feira, 7 de agosto, que politizar a negociação sobre o Banco de Brasília (BRB) é um erro, um dia depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificar como descabida a acusação de inércia do governo federal no cumprimento do acordo. A operação em discussão viabiliza um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para recompor o banco.

A resposta da governadora foi dada em tom técnico, com referência à documentação que o Executivo local diz já ter entregue.

“Temos documentação, inclusive sobre a previsibilidade da Capag A provisória, mas vamos tratar todos esses fatos de forma diferente do que o governo federal está fazendo, com avaliações e falas políticas. Não vamos cometer esse erro. Nossa fala aqui sobre o BRB é técnica, baseada em dados”, disse Celina Leão.

Em outro trecho, a governadora foi direta sobre o desgaste público entre as duas administrações: “Politizar esse tema é um erro. Acho que por qualquer ministro que venha politizar esse tema é um erro”.

O que está em jogo na operação do BRB

O acordo entre União e Distrito Federal foi homologado no Supremo Tribunal Federal e é a peça que destrava a captação de recursos para o banco público do DF. Sem ele, o BRB fica sem a garantia necessária para acessar o volume de crédito discutido, o que pesa sobre a capacidade da instituição de operar linhas de financiamento no mercado local.

A sigla Capag, citada pela governadora, é a Capacidade de Pagamento, nota que o Tesouro Nacional atribui a estados e municípios. A classificação vai de A a D e mede a saúde fiscal do ente federado. Quem tem nota A ou B pode obter aval da União para contrair empréstimos. É esse selo que o GDF diz ter assegurado em caráter provisório e cuja previsibilidade cobra do governo federal.

A divergência tem dois lados bem delimitados. De um, Celina Leão sustenta que o GDF cumpriu a parte que lhe cabia e pede definição de prazos. De outro, Dario Durigan afirma que ainda há pendências a serem resolvidas pelo Distrito Federal antes que a operação avance.

A fala do ministro que abriu a rusga

Durigan declarou que o Distrito Federal causou profunda insatisfação ao alegar inércia da União na busca por uma solução para o banco. A manifestação do ministro veio na quinta-feira, 6 de agosto, e foi o que motivou a resposta da governadora no dia seguinte.

O atrito entre os dois governos sobre o mesmo tema já havia aparecido em outros momentos deste ano, sempre com a mesma estrutura: o GDF cobra celeridade, e a Fazenda responde que a demora tem origem em exigências não cumpridas na ponta local.

Por que isso afeta quem mora no DF

O BRB é o banco público do Distrito Federal e opera contas do funcionalismo, crédito consignado, financiamento habitacional e a folha de pagamento de programas do governo local. Uma operação de recomposição de capital dessa dimensão define a margem que a instituição terá para emprestar nos próximos anos e para sustentar as próprias operações de varejo na capital.

  • Valor da operação: empréstimo de até R$ 6,6 bilhões.
  • Instância: acordo homologado no Supremo Tribunal Federal.
  • O que o GDF cobra: previsibilidade de prazos e reconhecimento da Capag A provisória.
  • O que a Fazenda responde: há pendências a serem resolvidas pelo Distrito Federal.

O SouBrasília acompanha o caso desde a fase de conciliação, quando as partes chegaram ao entendimento sobre a operação do BRB no STF.

O calendário do banco

A negociação com a União não é o único ponto aberto na agenda do BRB. Os acionistas do banco têm assembleia marcada para 24 de agosto, convocada para deliberar sobre medidas judiciais relacionadas a ex-dirigentes da instituição, conforme o SouBrasília noticiou na convocação publicada pelo banco.

São duas frentes que correm em paralelo e com públicos diferentes. A primeira, entre governos, define o volume de capital disponível. A segunda, dentro da estrutura societária do banco, trata da responsabilização por decisões tomadas na gestão anterior. Nenhuma das duas depende da outra para avançar, mas as duas moldam o cenário que a instituição terá pela frente em 2027.

Para o cliente do banco, o efeito prático da demora aparece na margem de crédito. Instituição com capital recomposto amplia o limite de operações que pode assumir, o que se traduz em oferta de consignado, financiamento e crédito para pequenos negócios na capital.

Próximos passos

Enquanto não há definição de calendário, o empréstimo segue travado. As declarações da governadora foram publicadas pelo Metrópoles e pelo Jornal de Brasília em 7 e 8 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

Qual o valor do empréstimo em discussão para o BRB?

A operação prevê empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para recompor o Banco de Brasília, com base em acordo entre União e Distrito Federal homologado no Supremo Tribunal Federal.

O que é a Capag citada pela governadora?

Capag é a Capacidade de Pagamento, nota que o Tesouro Nacional atribui a estados e municípios em uma escala de A a D. Entes com nota A ou B podem receber aval da União para contrair empréstimos.

Por que o empréstimo ainda não saiu?

O governo do Distrito Federal afirma ter cumprido sua parte e cobra definição de prazos. O Ministério da Fazenda sustenta que ainda existem pendências a serem resolvidas pelo DF.

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