Cirurgia de mama no SUS cresce 54% em dez anos; veja quem tem direito

agosto 9, 2026
Instrumentos cirurgicos dispostos sobre campo azul em sala de cirurgia, com mao enluvada ao fundo

As cirurgias plásticas de mama realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram 54,3% em dez anos, de 9 mil procedimentos em 2016 para 14.213 em 2025. Os números são de levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, regional Rio de Janeiro, apresentado durante a 45ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica e divulgado pela Agência Brasil.

No período completo, entre 2016 e 2025, o SUS registrou 90.648 internações para esse tipo de operação. O menor volume foi em 2020, primeiro ano da pandemia, com 4.547 procedimentos, quando cirurgias eletivas foram suspensas em boa parte do país.

A maioria não é estética

O dado que costuma passar despercebido está na composição: 74.619 registros, ou 82,3% do total, correspondem a plástica mamária feminina não estética. É a categoria que reúne cirurgias com indicação médica para corrigir deformidades congênitas, assimetrias importantes, hipertrofia mamária associada a dor e limitação física, e sequelas de doenças ou de tratamentos.

O restante se distribui entre procedimentos de reconstrução ligados ao câncer de mama:

  • 12.600 internações para reconstrução pós-mastectomia com implante de prótese;
  • 3.429 internações para reconstrução pós-mastectomia total.

A mastectomia é a retirada cirúrgica da mama, indicada em parte dos casos de câncer. A reconstrução devolve o volume e o contorno da região, com prótese ou com tecido da própria paciente.

Quem tem direito pelo SUS

A reconstrução mamária após mastectomia por câncer é garantida por lei federal a toda paciente atendida pelo SUS, sem custo. A legislação determina ainda que a reconstrução seja feita no mesmo ato cirúrgico da retirada, quando houver condições técnicas para isso. Quando não há, a paciente tem direito ao procedimento em uma segunda etapa, e o encaminhamento deve partir do serviço que fez o tratamento.

Na prática, o caminho começa na unidade básica de saúde ou no ambulatório de mastologia que acompanha o caso. É de lá que sai o encaminhamento para o serviço de cirurgia plástica reparadora. Quem já passou pela mastectomia há anos e não fez a reconstrução também pode pedir o procedimento.

Onde as cirurgias acontecem

A distribuição mostra uma concentração regional que não acompanha a população. O Sudeste responde por 50.848 internações, 56,1% de todos os procedimentos mamários não estéticos e reconstrutivos feitos pelo SUS no período. Só São Paulo soma 30.265, um terço do total nacional.

Veja como ficam os demais estados de maior volume e as regiões:

  • São Paulo: 30.265
  • Minas Gerais: 9.836
  • Rio de Janeiro: 9.115
  • Rio Grande do Sul: 6 mil
  • Bahia: 5.731
  • Nordeste: 15.985
  • Sul: 9.098
  • Centro-Oeste: 5.695
  • Norte: 3.022

O Centro-Oeste, onde está o Distrito Federal, aparece com 5.695 internações no período, à frente apenas do Norte. A diferença regional tem relação com a oferta de serviços habilitados em cirurgia plástica reparadora, que se concentram em hospitais de referência e universitários.

O que fazer se o encaminhamento não sai

Quando o serviço não dá andamento ao pedido, a paciente pode acionar a ouvidoria da secretaria de saúde do seu estado ou do Ministério da Saúde, pelo Disque 136. No Distrito Federal, o registro pode ser feito também na Ouvidoria da Secretaria de Saúde, pelo 162.

O diagnóstico precoce continua sendo o fator que mais muda o desfecho no câncer de mama. A mamografia é oferecida pelo SUS e a recomendação do Ministério da Saúde é de exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos, com avaliação individual fora dessa faixa quando há fatores de risco.

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Perguntas frequentes

A reconstrução de mama é gratuita pelo SUS?

Sim. A reconstrução mamária após mastectomia por câncer é garantida por lei federal a toda paciente atendida pelo SUS, sem custo.

Quanto cresceram as cirurgias de mama no SUS?

O volume passou de 9 mil procedimentos em 2016 para 14.213 em 2025, alta de 54,3%, segundo levantamento da SBCP-RJ.

A maior parte dessas cirurgias é estética?

Não. 82,3% dos registros são de plástica mamária feminina não estética, com indicação médica, e o restante é reconstrução ligada ao câncer.

Quem fez mastectomia há anos ainda pode pedir a reconstrução?

Sim. O pedido deve ser feito no serviço que acompanha o caso, que encaminha para a cirurgia plástica reparadora.

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