Trabalho escravo no DF — Uma operação conjunta de fiscalização flagrou indícios de trabalho em condições análogas à escravidão na Serrinha do Paranoá, região do Distrito Federal. Dois homens foram encontrados vivendo em um barraco improvisado, sem acesso a água potável ou banheiro, em uma área de proteção ambiental invadida por grileiros.
O que aconteceu na Serrinha do Paranoá
A ação foi realizada nesta terça-feira (31) na Gleba A da Serrinha do Paranoá, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central. O terreno pertence à Terracap e faz parte de uma zona de conservação da vida silvestre.
Agentes do ICMBio encontraram no local cercas com piquetes de concreto dividindo a propriedade, abertura de ruas, árvores queimadas e uma pequena criação de galinhas. O barraco onde os dois trabalhadores viviam havia sido construído há cerca de dois meses.
Segundo o agente federal Maurício Laxe, do ICMBio, as condições encontradas caracterizam situação de extrema precariedade e apontam para trabalho análogo à escravidão.
Grilagem de terras em larga escala
A área fiscalizada tem aproximadamente 10 hectares, mas a situação é ainda mais grave: a Serrinha do Paranoá possui ao menos oito áreas invadidas recentemente, totalizando cerca de 160 hectares sob ocupações irregulares.
O suspeito de liderar a invasão foi identificado como José Geraldo da Silva. Seu advogado, Osvaldo Eustáquio, compareceu durante a operação e afirmou que não tinha comentários sobre o caso.
Multa de R$ 100 mil e próximos passos
O ICMBio aplicou multa de R$ 100 mil ao responsável pela ocupação. As estacas e cercas instaladas no terreno foram removidas e o material apreendido foi encaminhado à Terracap.
A área foi embargada e permanece sob monitoramento contínuo. Os dois trabalhadores foram conduzidos à Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) para prestar esclarecimentos.
A operação envolveu ICMBio, Terracap e Polícia Militar do DF. A Polícia Federal foi acionada para investigar a atuação dos grileiros na região.
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