A renaturalização de rios urbanos — processo de restauração de cursos d’água que foram canalizados ou suprimidos pelo avanço das cidades — vem ganhando espaço no Brasil como estratégia para reduzir enchentes e melhorar a qualidade ambiental em áreas urbanas. A especialista Cecília Herzog, da Rede de Cidades com Natureza (RECN), aponta a abordagem como uma das mais eficazes no contexto das mudanças climáticas.
Em São Paulo, um exemplo concreto é o projeto do Parque Municipal do Bixiga, que prevê a reabertura do córrego Bixiga, atualmente canalizado. O concurso para o projeto foi lançado em janeiro de 2026 e o resultado estava previsto para maio. A iniciativa busca transformar uma área urbana impermeabilizada em um espaço verde com gestão natural das águas pluviais.
No Rio de Janeiro, um grupo de trabalho dedicado à renaturalização do Rio Maracanã vem desenvolvendo propostas para devolver ao rio seu curso natural em trechos da zona norte da cidade. As intervenções em rios urbanos, além de reduzirem o risco de alagamentos, ajudam a amenizar o calor nas regiões onde são implementadas.
A renaturalização difere da simples despoluição de rios: envolve a remoção de estruturas de canalização, restauração de margens com vegetação nativa e criação de espaços que permitam ao rio expandir-se em situações de chuva intensa, funcionando como esponjas naturais contra as enchentes urbanas.








