Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitaram o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por seis votos contrários e quatro favoráveis. Com isso, a CPI encerrou seus trabalhos sem aprovação de um documento conclusivo. O relatório de 220 páginas pedia, entre outros pontos, o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou o fato de os trabalhos não terem sido prorrogados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Contarato posicionou-se contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, e do procurador-geral da República Paulo Gonet, propostos pelo relator. Já o senador Alessandro Vieira atribuiu a derrota do relatório a uma “intervenção direta do Palácio do Planalto”.
Votaram a favor do relatório os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES). Votaram contra os senadores Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).
O relatório rejeitado mapeava 90 organizações criminosas no Brasil, sendo duas com atuação nacional — o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento apontava que 26% do território nacional estaria sob algum tipo de controle do crime organizado, com 28,5 milhões de brasileiros vivendo em áreas com presença criminosa. As conclusões da comissão, contudo, não terão validade oficial sem a aprovação formal do relatório.








