seg, 12 out
Política

Celina lidera com 34,6% e oficializa chapa completa neste domingo; Arruda é lançado sem vice e sem Senado

Convenção do PSD e do Avante terminou no sábado sem definir a vice-governadoria nem o nome do Senado. A federação União Progressista homologa Celina Leão e Gustavo Rocha às 9h, no Ulysses Guimarães

Por Denver Moura 4 min de leitura
José Roberto Arruda, Gim Argello e Paulo Octávio, nomes centrais da chapa do PSD e do Avante no DF
Neste texto5 tópicos
  1. Celina lidera e tem 58,3% de aprovação
  2. A federação sobe ao palanque com a chapa fechada
  3. O que ficou em aberto na convenção de Arruda
  4. A pendência que pode tirar Arruda da urna
  5. O que Arruda falou de gestão

O Distrito Federal fecha o fim de semana com as duas maiores convenções do calendário eleitoral — e com um contraste evidente entre elas.

Neste domingo (2/8), às 9h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, a federação União Progressista homologa a candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição, com Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador. A chapa majoritária sobe ao palanque fechada.

No sábado (1º/8), no CICB, PSD e Avante lançaram José Roberto Arruda ao Governo do DF, mas o ato terminou sem a definição do vice e sem o nome do Senado resolvido.

Celina lidera e tem 58,3% de aprovação

O levantamento mais recente é do Paraná Pesquisas, feito entre 17 e 19 de julho, com 1.500 entrevistas no DF, margem de erro de 2,6 pontos percentuais e 95% de confiança — registro no TSE sob o número DF-01326/2026.

No cenário estimulado de primeiro turno:

  • Celina Leão (PP) — 34,6%
  • José Roberto Arruda — 28,1%

A vantagem de 6,5 pontos está acima da margem de erro. Em cenário simulado sem Arruda, a governadora chega a 45,9%. Na pesquisa espontânea, sem nomes apresentados, ela aparece com 12,3% contra 7,4% dele.

O mesmo levantamento mediu a avaliação da gestão: 58,3% aprovam o governo e 37,6% desaprovam. Pesquisa do instituto Exata OP, registrada sob o número DF-02994/2026, aponta quadro semelhante. Os dois institutos indicam cenário de possível segundo turno.

A federação sobe ao palanque com a chapa fechada

A União Progressista — federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil — reúne no Ulysses Guimarães, no Eixo Monumental, lideranças das duas legendas, parlamentares e caravanas das regiões administrativas.

Ao convocar os apoiadores, Celina usou o mote da mobilização: “O rugido da Leoa vai ecoar por todo o DF.”

Na nominata conjunta aparecem Pepa, Eduardo Pedrosa, Pastor Daniel de Castro, Valdelino Barcelos e Cláudio Abrantes — nomes com bases em regiões administrativas distintas. A federação projeta eleger até quatro deputados com a lista unificada.

O que ficou em aberto na convenção de Arruda

O ato do CICB confirmou o retorno do ex-governador às urnas após 16 anos, mas sem fechar a chapa. O próprio Arruda explicou:

“Deixaremos as atas em aberto porque, na política, quem tem tempo não tem pressa.”

E indicou o prazo com que trabalha: “A legislação nos confere possibilidade do registro até o dia 15 de agosto.”

Seguem cotados para vice o ex-senador Gim Argello, presidente do Avante-DF, e seu filho Jorge Argello. Nas semanas anteriores, Arruda também convidou o Podemos a indicar Luiz França e chegou a sugerir o ex-deputado Ronaldo Fonseca.

A vaga ao Senado também segue indefinida. Arruda e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciaram Paulo Octávio para a disputa em 29 de julho, mas o empresário — que preside o PSD no DF e foi vice-governador na gestão do próprio Arruda — negou ao Correio Braziliense ter confirmado a pré-candidatura, e disse que o anúncio foi forma de pressioná-lo.

A convenção teve presença de Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, e de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido e candidato a vice na chapa dele.

A pendência que pode tirar Arruda da urna

Arruda continua inelegível. Ele foi condenado por improbidade administrativa em seis processos da Operação Caixa de Pandora, com multa e ressarcimento que somam R$ 594 milhões. Em 2010, tornou-se o primeiro governador em exercício do país a ser preso preventivamente.

Em decisão publicada em 20 de fevereiro deste ano, o TJDFT negou agravo interno do ex-governador e manteve a condenação, com suspensão dos direitos políticos por 12 anos.

A saída jurídica que a defesa persegue é a Lei Complementar 219/2025, que flexibilizou a contagem do prazo da Lei da Ficha Limpa. A norma está sob julgamento no STF, em ação da Rede Sustentabilidade — e o placar, antes do pedido de vista, era de 2 votos a 0 contra o afrouxamento das regras, de Cármen Lúcia (relatora) e Luiz Fux. Gilmar Mendes pediu vista em 28 de maio, e seu voto é esperado até 26 de agosto, praticamente sobre o prazo de registro.

Enquanto o Supremo não conclui, a candidatura segue juridicamente indefinida.

O que Arruda falou de gestão

Sobre o metrô, comentou o descarrilamento recente e disse que o sistema foi “canibalizado”. Defendeu investimento privado: “Vamos precisar de capital privado. Eu não falo em privatização, mas estou aberto às PPPs.”

Sobre o BRB, que atravessa crise após os negócios com o Banco Master, sugeriu fechar 19 agências físicas fora do DF, cortar patrocínios e negociar com o governo federal a aplicação do Fundo do Centro-Oeste, de R$ 15 bilhões, no banco. E ponderou: “O único porém é que estou falando tudo isso sem que eu ou vocês conheçam o real tamanho do buraco.”

Sobre os 16 anos afastado, disse ter “atravessado um deserto”.


Serviço Convenção União Progressista (PP + União Brasil) Domingo, 2 de agosto, às 9h Centro de Convenções Ulysses Guimarães — Eixo Monumental

As convenções partidárias no DF seguem até 5 de agosto.

Com informações do Metrópoles, do Correio Braziliense, do Jornal de Brasília, do O Hoje e do Diário do Poder.

Foto de capa: reprodução.

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