Preso em saidão é suspeito de matar a mãe adotiva em Samambaia

agosto 12, 2026
Fachada do Palácio da Justiça do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios em Brasília

Um homem de 44 anos que deixou o sistema prisional do Distrito Federal pela saída temporária do Dia dos Pais é o principal suspeito de matar a mãe adotiva, de 70 anos, em Samambaia. O corpo de Francisca Almeida da Silva foi encontrado por policiais na casa dela, na QR 307, na segunda-feira (10). O estrangulamento é a principal causa apontada para a morte, segundo a apuração policial.

Leonardo Ferreira de Almeida cumpria pena de 39 anos por homicídio e estupro e havia sido incluído na lista de custodiados autorizados a deixar a unidade prisional no período do Dia dos Pais. Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem, procurado em ação conjunta da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

O que a polícia apurou até agora

Além do homicídio, o suspeito é apontado como autor de crimes sexuais contra duas jovens, de 19 e 20 anos, que estavam no imóvel e são descritas pelas reportagens como irmãs de consideração dele. As duas foram mantidas em cárcere privado. Uma terceira jovem conseguiu deixar a casa e pedir socorro, o que levou a polícia até o endereço.

O caso reúne, num único episódio, três elementos que costumam pesar na dosimetria e na revisão de benefícios: o vínculo familiar com a vítima, a reincidência em crime violento e o descumprimento das condições da saída temporária. Cabe à Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidir sobre a revogação do benefício e sobre eventual regressão de regime quando ele for localizado.

A saída temporária é prevista na Lei de Execução Penal e alcança apenas presos do regime semiaberto que cumprem requisitos objetivos, entre eles o tempo mínimo de pena cumprida e o bom comportamento carcerário atestado pela direção do presídio. A autorização é individual e concedida por decisão judicial.

O saidão do Dia dos Pais no DF

O benefício deste ano foi o quinto de 2026 no Distrito Federal. Entre 6 e 10 de agosto, 1.520 custodiados foram autorizados a deixar as unidades prisionais, com fiscalização da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seape-DF) e das forças de segurança durante o período. A data de retorno era justamente a segunda-feira em que o crime ocorreu.

O caso de Samambaia recoloca em debate o ponto mais sensível do desenho atual do benefício: a avaliação é feita por critérios objetivos de tempo de pena e de comportamento dentro da unidade, sem exame específico do histórico de violência contra pessoas do convívio do condenado.

Como funciona a autorização

Pela Lei de Execução Penal, o preso do semiaberto tem direito a até cinco saídas temporárias por ano, de até sete dias cada, em datas comemorativas definidas em calendário. Os requisitos são cumulativos: comportamento adequado atestado pela direção do presídio, cumprimento mínimo de um sexto da pena para o réu primário ou de um quarto para o reincidente, e compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

A decisão é do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária. Quem descumpre condição, comete crime ou não retorna no prazo perde o benefício e pode ter o regime regredido para o fechado.

O que ainda não está esclarecido

  • Se houve quebra de alguma condição do benefício antes do crime, o que permitiria acionamento preventivo;
  • Qual delegacia ficará com a investigação e se o inquérito reunirá os fatos numa única apuração;
  • Se a Seape-DF e a VEP vão revisar critérios para inclusão de condenados por crimes sexuais nas próximas saídas temporárias;
  • O paradeiro do suspeito, alvo de buscas desde segunda-feira.

Até a publicação desta reportagem, a Seape-DF não havia divulgado posicionamento público sobre o caso, e não há manifestação do TJDFT sobre revisão do benefício.

Quem tiver informações sobre o paradeiro do suspeito pode acionar a Polícia Civil pelo 197, com garantia de anonimato, ou a Polícia Militar pelo 190. Mulheres em situação de violência doméstica no DF contam ainda com o 180, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e as unidades da Casa da Mulher Brasileira.

O suspeito é tratado como investigado até que haja condenação com trânsito em julgado pelos fatos apurados agora.

Perguntas frequentes

Quem pode receber a saída temporária no DF?

Apenas presos do regime semiaberto que cumprem requisitos da Lei de Execução Penal, como tempo mínimo de pena cumprida e bom comportamento atestado pela direção da unidade. A autorização é individual e depende de decisão judicial.

Quantos presos saíram no saidão do Dia dos Pais de 2026?

Foram 1.520 custodiados autorizados a deixar as unidades prisionais do Distrito Federal entre 6 e 10 de agosto, no quinto saidão do ano.

Como denunciar o paradeiro de um foragido no DF?

Pelo 197, central da Polícia Civil do Distrito Federal, com garantia de anonimato, ou pelo 190, da Polícia Militar, em caso de risco imediato.

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