PF aposta em André Mendonça como árbitro do destino de Toffoli e Moraes no STF

março 20, 2026

Segundo apuração nos bastidores da corporação, o impasse com a PGR afastou Paulo Gonet do papel de protagonista no caso; relator do escândalo do Banco Master emerge como a figura central para os próximos passos


Nos corredores da Polícia Federal, uma leitura ganha cada vez mais força: o destino dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, passa necessariamente pelo ministro André Mendonça. A avaliação, apurada nos bastidores da corporação pelo jornalista Matheus Teixeira, da CNN, especializado na cobertura dos Três Poderes, revela um cenário de impasse institucional com desdobramentos imprevisíveis.

O relatório de 200 páginas e o caminho que não foi seguido

O ponto de partida da análise é o extenso relatório produzido pela própria PF sobre a conduta do ministro Dias Toffoli — documento que ultrapassa 200 páginas. Por uma questão procedimental óbvia, o material não pôde ser entregue diretamente ao próprio Toffoli, que era o relator do caso. A solução encontrada foi encaminhar o ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

O fluxo natural a partir daí, na visão da corporação, seria que o documento seguisse à Procuradoria-Geral da República (PGR), cabendo ao procurador-geral Paulo Gonet avaliar eventuais pedidos de afastamento ou outras medidas contra os ministros investigados. Esse caminho, porém, foi descartado nos bastidores da PF.

Por que Gonet foi descartado como aliado

A avaliação interna da corporação é direta: Gonet está alinhado com a ala do Supremo que busca, nas palavras captadas pela reportagem, construir uma “barreira de contenção” para minimizar o desgaste institucional da corte. Na prática, isso significa que a PF não enxerga no procurador-geral uma figura disposta a pressionar o tribunal ou a adotar postura confrontadora diante de seus próprios membros.

Com Gonet fora do cálculo como interlocutor efetivo, a equação se reconfigurou.

Mendonça como peça-chave

A conclusão dos bastidores da PF é que André Mendonça, na condição de relator do caso envolvendo o escândalo do Banco Master — que conecta o nome de Toffoli a suspeitas de favorecimento —, tornou-se o principal destinatário de eventuais novos elementos de prova que venham a surgir.

Na prática, se a investigação avançar e novos indícios emergirem contra Toffoli ou Moraes, é ao gabinete de Mendonça que esse material deverá ser direcionado. E será o próprio ministro quem decidirá o que fazer com ele — quais consequências processuais adotar, que providências tomar e em que ritmo agir.

A lógica é simples, mas politicamente carregada: Mendonça reúne, ao mesmo tempo, a atribuição regimental para atuar no caso e, na percepção da PF, uma postura de maior independência em relação ao bloco que tenta administrar os efeitos do escândalo dentro da corte.

O cenário que se desenha

A confluência desses fatores coloca Mendonça numa posição singular no tabuleiro institucional brasileiro: sem que tenha necessariamente buscado o papel, ele se tornou a variável que pode definir a trajetória de dois dos ministros mais poderosos e mais controversos do STF no período recente. O ritmo e a direção das próximas movimentações no caso dependem, em larga medida, das escolhas que ele fizer.