Uma pesquisa realizada pela ZipHealth com adultos no Reino Unido revelou que 25% das pessoas considerariam ter um relacionamento íntimo com um robô. Entre a Geração Z, o número é ainda maior: 37% dos jovens estariam abertos à experiência. O estudo levanta questões sobre o futuro das relações humanas na era da inteligência artificial.
Jovens são mais abertos à ideia
Os dados mostram uma clara divisão geracional. Enquanto 37% dos jovens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) aceitariam a possibilidade de se relacionar com uma máquina, entre os millennials o índice cai para 28%. Já entre pessoas acima de 55 anos, a rejeição é predominante.
A curiosidade é o principal motivador para os interessados, citada por cerca de 60% dos entrevistados que se disseram abertos à experiência. Outros fatores incluem a possibilidade de uma experiência sem julgamentos e a ausência de complicações emocionais.
Entre os que rejeitam a ideia, os motivos mais comuns são desconforto, preferência por conexões humanas genuínas e preocupações éticas sobre o tema.
O conceito de digissexualidade
Especialistas apontam que os resultados da pesquisa refletem uma tendência crescente chamada digissexualidade — a expressão afetiva mediada por tecnologia. O conceito abrange desde relacionamentos virtuais até interações com inteligência artificial, avatares e realidade aumentada.
Com o avanço dos chatbots de IA e de robôs humanoides cada vez mais sofisticados, a linha entre interação humana e tecnológica se torna cada vez mais tênue. Aplicativos de “companhia virtual” já movimentam bilhões de dólares globalmente.
Psicólogos alertam, porém, que o risco surge quando “o digital se torna refúgio contra a frustração do real”. A substituição de encontros humanos pela interação com máquinas pode agravar problemas de isolamento social.
Inteligência artificial muda relações
O avanço da inteligência artificial já está transformando a forma como as pessoas se relacionam. Assistentes virtuais, chatbots com personalidade e até “namoradas virtuais” baseadas em IA ganham popularidade em todo o mundo.
No Japão, país pioneiro nessa tendência, milhares de pessoas já mantêm relacionamentos declarados com personagens de IA. A indústria de robôs de companhia cresce exponencialmente, alimentada pelo aumento da solidão nas sociedades modernas.
Debate ético sobre o tema
A possibilidade de relações entre humanos e máquinas levanta questões éticas profundas. Filósofos e cientistas sociais debatem se essas interações podem ser consideradas genuínas ou se representam apenas uma simulação que alivia temporariamente a solidão.
Especialistas defendem que a tecnologia deve complementar, e não substituir, as relações humanas. O desafio para a sociedade será encontrar um equilíbrio saudável entre os benefícios da companhia tecnológica e a importância das conexões interpessoais reais.








